O ATIVO INVISÍVEL
O ATIVO INVISÍVEL
PALAVRAS DO AUTOR
Talvez o maior patrimônio que você tenha hoje não esteja no banco.
Talvez ele esteja no telefone que você carrega no bolso. Nos nomes que você conhece, nas pessoas que confiam em você, nos clientes que você conquistou.
Durante muito tempo, eu também não enxergava isso.
Eu vim de uma realidade simples. Conheci dificuldades, trabalhei muito e passei por momentos em que tudo o que eu queria era encontrar uma oportunidade que realmente pudesse mudar a minha vida.
Foi trabalhando, vendendo, errando, acertando e aprendendo com as pessoas que, aos poucos, comecei a perceber algo que mudaria definitivamente a minha maneira de pensar sobre dinheiro e patrimônio.
Descobri que uma venda pode terminar no momento em que o cliente paga, mas um relacionamento não precisa terminar ali.
Um cliente satisfeito pode voltar. Pode indicar você para outra pessoa. Pode confiar novamente no seu trabalho. E, quando aprendemos a cuidar desses relacionamentos, algo começa a ser construído quase em silêncio.
Algo que muita gente possui, mas quase ninguém consegue enxergar.
Eu chamo isso de ativo invisível.
Este livro nasceu daquilo que vivi e aprendi ao longo de mais de 25 anos.
Não escrevo estas páginas para dizer que existe dinheiro fácil. Se há alguma coisa que a minha história pode mostrar, é justamente o contrário: construir exige tempo, trabalho, disciplina, persistência e, muitas vezes, escolhas difíceis.
Também não tenho a pretensão de dizer que existe uma fórmula que funcione igualmente para todas as pessoas.
Quero apenas compartilhar com você aquilo que aprendi. Os erros que cometi, os acertos que tive e algumas ferramentas que fizeram diferença na minha caminhada.
Quero mostrar que é possível começar pequeno. Que é possível aprender a cuidar melhor do dinheiro. Que uma venda pode representar muito mais do que aquilo que entra no caixa naquele momento. E, principalmente, que relacionamentos construídos com confiança podem se transformar em um patrimônio de enorme valor.
Se alguma destas páginas ajudar você a olhar de maneira diferente para aquilo que está construindo, este livro já terá valido a pena.
Porque talvez você esteja mais perto do que imagina.
Talvez só precise aprender a enxergar aquilo que, até hoje, permaneceu invisível.
Ivan Gonçalves
DEDICATÓRIA
Primeiramente, a Deus.
Sem Ele, nada disso seria possível. Nos momentos em que eu não conseguia enxergar o caminho, foi Nele que encontrei luz, força e direção para continuar. Cada conquista que tive carrega, antes de tudo, a minha gratidão a Deus.
À minha amada esposa, Roseny Maria Silva Gonçalves.
Você esteve ao meu lado quando as coisas deram certo, mas, principalmente, quando elas pareciam não ter solução. Houve momentos em que me senti como se estivesse no fundo de um buraco, e foi você quem estendeu a mão e me levantou. Suas orações, sua fé, sua paciência e seu amor sustentaram partes da minha caminhada que talvez poucas pessoas tenham conhecido.
Aos meus filhos.
Isabella Cristina Gonçalves da Silva
e
Ivan Gonçalves da Silva Júnior
Sei que, em muitos momentos da infância de vocês, estive ausente. Enquanto vocês cresciam, eu corria atrás de um sonho e tentava construir um futuro melhor para nossa família. O tempo me ensinou que nenhuma conquista devolve os momentos que passaram. Mas quero que saibam que, em cada batalha, em cada esforço e em muito daquilo que construí, vocês sempre estiveram presentes dentro de mim.
E ao meu amigo e mentor, Gerson Carlos Pavani.
Muitos anos atrás, quando eu ainda não conseguia enxergar tudo aquilo que uma carteira poderia representar, foi você quem me incentivou a seguir esse caminho. Sua orientação teve participação importante na construção daquilo que viria a transformar minha vida financeira e na caminhada que me levou à conquista do meu primeiro milhão por meio da carteira.
Existem pessoas que nos entregam dinheiro.
Outras nos entregam oportunidades.
E existem aquelas que nos ajudam a enxergar aquilo que ainda não conseguíamos ver.
Gerson, você foi uma dessas pessoas na minha vida.
A todos vocês, dedico estas páginas.
Porque, embora meu nome esteja na capa deste livro, nenhuma história é construída por uma pessoa só.
Com amor e gratidão,
Ivan Gonçalves
CAPÍTULO 1
DE ONDE EU VIM
Eu tinha sete anos de idade quando comecei a trabalhar.
Sete anos.
Hoje, quando olho para uma criança dessa idade, às vezes me pergunto como aquelas mãos tão pequenas conseguiram suportar o peso que carregaram.
Meu primeiro trabalho foi em uma olaria, uma fábrica de tijolos.
Eu ainda era um menino, mas a vida já começava a me ensinar algumas coisas cedo demais.
Na olaria havia grandes fornos onde os tijolos eram queimados. Depois da queima, alguém precisava entrar e retirar aqueles tijolos.
E aquele era o meu trabalho.
Eu descarregava os fornos com as próprias mãos.
O calor era forte. O tijolo castigava a pele. Minhas mãos pequenas foram criando calos e, muitas vezes, chegavam a sangrar.
Doía.
Havia dias em que eu chorava.
Não era choro escondido. Era choro de criança mesmo. De quem sentia dor e ainda não entendia por que precisava passar por aquilo.
Naquela época, meu irmão era o administrador da olaria.
Às vezes eu ia até ele chorando e mostrava minhas mãos.
Aquelas mãozinhas calejadas e machucadas.
Talvez eu esperasse ouvir:
“Pode parar por hoje.”
Talvez esperasse um abraço.
Talvez quisesse apenas que alguém olhasse para minhas mãos e entendesse que eu estava cansado.
Mas não era isso que acontecia.
Meu irmão era duro comigo. Houve ocasiões em que pegou uma vara e bateu nas minhas costas.
E então dizia:
— Volta para o seu trabalho.
E eu voltava.
Hoje, tantos anos depois, consigo olhar para aqueles acontecimentos com os olhos do homem que me tornei.
Na época, eu era apenas uma criança sentindo dor.
Hoje compreendo que aquela experiência deixou marcas profundas em mim. Não apenas nas mãos daquele menino, mas na maneira como eu aprenderia a enfrentar a vida.
Não conto isso para dizer que uma criança precisa sofrer para aprender.
Conto porque essa foi a minha história.
Foi de lá que eu vim.
E aquela história ainda ficaria mais difícil.
QUANDO A VIDA ME OBRIGOU A CRESCER
Aos sete anos, além de começar a trabalhar, perdi meu pai.
Quando uma criança perde o pai, ela talvez nem consiga compreender completamente o tamanho daquela ausência.
A gente só percebe que alguém que deveria estar ali já não está.
A vida continua acontecendo, mas alguma coisa muda dentro de casa.
E dentro da gente.
Eu continuei crescendo.
Continuei trabalhando.
Continuei tentando entender a vida com as ferramentas que tinha.
Até que, aos 14 anos, veio outra perda.
Perdi minha mãe.
Primeiro meu pai, quando eu tinha sete anos.
Depois minha mãe, aos 14.
Aos 14 anos, eu já conhecia coisas que gostaria de ter conhecido muito mais tarde.
Conhecia o trabalho pesado.
Conhecia a dor nas mãos.
Conhecia o cansaço.
E conhecia a ausência.
Talvez tenha sido por isso que aprendi tão cedo que, se quisesse construir alguma coisa, precisaria continuar caminhando mesmo quando a vida não estivesse fácil.
Não estou dizendo que não senti medo.
Senti.
Não estou dizendo que nunca pensei em desistir.
Houve momentos difíceis.
Mas alguma coisa dentro de mim continuava dizendo que a minha história não precisava terminar ali.
Eu não sabia como mudaria minha vida.
Não sabia qual oportunidade apareceria.
Não tinha dinheiro.
Não tinha conhecimento financeiro.
Não conhecia estratégias de investimento.
Não entendia de patrimônio.
Muito menos imaginava que, décadas depois, estaria escrevendo um livro para contar aquilo que aprendi.
Eu tinha uma coisa:
vontade de mudar a minha história.
NÃO QUERO ROMANTIZAR A DIFICULDADE
Existe uma coisa que faço questão de deixar clara.
Não quero romantizar aquilo que vivi.
Dificuldade dói.
A pobreza não é bonita.
A perda não é bonita.
Uma criança com as mãos machucadas pelo trabalho não é uma imagem bonita.
Existem momentos em que a dificuldade cansa, machuca e até humilha.
Por isso, quando conto minha história, não quero dizer que todo sofrimento é necessário para alguém vencer.
Quero dizer apenas que, já que aquilo aconteceu comigo, eu precisei decidir o que faria com aquilo que havia vivido.
Eu poderia carregar somente as feridas.
Mas, com o passar dos anos, comecei a perceber que também carregava resistência.
Aquele menino que voltava para o forno mesmo chorando começou, sem saber, a desenvolver uma capacidade que seria necessária muitas outras vezes em sua vida:
continuar.
Continuar quando estivesse difícil.
Continuar quando alguém dissesse não.
Continuar quando um negócio desse errado.
Continuar quando perdesse dinheiro.
Continuar quando a solução ainda não estivesse visível.
Hoje compreendo que grande parte do homem que me tornei começou a ser formada naquele menino.
Minhas mãos cicatrizaram.
Mas a disposição para lutar ficou.
QUANDO ESFORÇO AINDA NÃO ERA DIREÇÃO
Por muitos anos, achei que sucesso significava simplesmente trabalhar mais.
Talvez fosse natural pensar assim.
Afinal, foi isso que aprendi desde criança.
Mais horas.
Mais força.
Mais peso nas costas.
Mais esforço.
Se eu queria alguma coisa, precisava trabalhar.
Essa lição foi importante.
Mas, anos depois, descobriria que ela estava incompleta.
Porque existe uma diferença enorme entre trabalhar muito e construir alguma coisa.
Eu confundia esforço com direção.
Demorei para entender isso.
Força é importante.
Trabalho é importante.
Persistência é importante.
Mas chega um momento em que somente força não basta.
Você precisa começar a enxergar.
Precisa encontrar direção.
E visão não chega pronta.
Ela vai sendo construída aos poucos.
Nos tropeços.
Nas conversas.
Nas experiências.
Nos erros.
Nas pessoas que cruzam nosso caminho.
E até nas portas que se fecham diante de nós.
Naquela época, eu ainda não tinha clareza alguma sobre enxergar um cliente como patrimônio ou uma carteira de recebíveis como um ativo.
Essas palavras estavam muito distantes da minha realidade.
Eu queria vencer o mês.
Queria pagar as contas.
Queria respirar um pouco mais tranquilo.
E sei que muita gente que está lendo este livro talvez esteja exatamente nesse ponto agora.
Talvez você esteja trabalhando muito e ainda não consiga enxergar uma saída.
Talvez esteja preocupado com o final do mês.
Talvez tenha a sensação de que todo mundo está avançando enquanto você permanece no mesmo lugar.
Eu conheço esse sentimento.
Mas existe algo que a minha história me ensinou:
o lugar onde você está hoje não precisa determinar o lugar onde estará amanhã.
QUANDO O FUTURO PARECIA DISTANTE
Houve uma época em que, se alguém viesse conversar comigo sobre patrimônio, futuro, investimento ou estratégia financeira, provavelmente eu pensaria que aquilo era assunto para gente rica.
Gente que já tinha dinheiro.
Gente que havia recebido oportunidades diferentes das minhas.
Parecia muito distante da minha realidade.
Eu olhava para minha vida e enxergava urgência, não futuro.
Via contas para pagar, não patrimônio para construir.
E talvez tenha sido justamente por isso que demorei algum tempo para perceber determinadas oportunidades.
Mas havia também um outro lado.
Quando você vem de baixo, cada passo tem peso.
Cada pequena conquista tem gosto de vitória.
Foi assim comigo.
E hoje percebo que, muito antes de construir uma carteira financeira, eu já estava construindo meu primeiro ativo invisível.
Ainda não era dinheiro.
Era resistência.
Era experiência.
Era disciplina.
Era aprender a levantar no dia seguinte mesmo quando a vontade era permanecer parado.
Era aprender a ouvir.
Era observar as pessoas.
Era aprender com aquilo que dava certo e também com aquilo que dava errado.
Cada dificuldade deixava alguma coisa dentro de mim que seria utilizada mais adiante.
Eu estava construindo um patrimônio que não aparecia em extrato bancário algum.
Eu estava construindo a mim mesmo.
TALVEZ VOCÊ TAMBÉM ACHE QUE ESTÁ LONGE
Se você está lendo estas páginas e pensando:
“Ivan, a minha realidade é muito diferente. Eu ainda estou muito longe de construir alguma coisa...”
Eu quero que se lembre do menino da olaria.
Não do Ivan que você conhece hoje.
Não do homem que construiu uma carteira.
Não do empresário.
Não do autor deste livro.
Pense naquele menino de sete anos.
Com as mãos machucadas.
Sem o pai.
Sem conhecimento sobre dinheiro.
Sem saber o que era investimento.
Sem imaginar o que aconteceria dali a 10, 20 ou 30 anos.
Aquele menino também estava longe.
Muito longe.
Mas ele continuou.
E talvez uma das maiores armadilhas da vida seja acreditar que precisamos enxergar a estrada inteira antes de dar o primeiro passo.
Não precisamos.
Às vezes, precisamos enxergar apenas o próximo passo.
E depois o próximo.
E mais um.
Foi assim comigo.
EU AINDA NÃO SABIA, MAS ESTAVA SENDO PREPARADO
Eu não sabia naquela época, mas aquele Ivan cheio de dúvidas e incertezas estava sendo preparado.
O menino da olaria estava sendo preparado.
O adolescente que perdeu a mãe estava sendo preparado.
O jovem que precisava trabalhar estava sendo preparado.
Não porque aquelas dores fossem necessárias ou desejáveis, mas porque eu precisava transformar aquilo que havia vivido em alguma coisa que me fizesse seguir adiante.
Eu estava sendo preparado para reconhecer uma oportunidade quando ela aparecesse.
Preparado para não desistir diante do primeiro “não”.
Preparado para aprender com o caminho, e não apenas comemorar o resultado.
Preparado para descobrir que dinheiro não é somente aquilo que você recebe.
É também aquilo que você aprende a construir.
Naquele momento da minha vida, eu enxergava apenas esforço.
Hoje, quando olho para trás, enxergo uma longa construção.
Cada trabalho.
Cada dificuldade.
Cada porta fechada.
Cada pequena conquista.
Cada vez que precisei começar novamente.
Tudo isso estava formando a pessoa que, anos depois, receberia uma proposta aparentemente simples e tomaria uma decisão que mudaria completamente sua maneira de enxergar dinheiro.
Eu ainda não sabia, mas estava muito perto de descobrir que uma venda poderia continuar produzindo resultados muito tempo depois de realizada.
E essa descoberta começou de uma maneira que eu jamais poderia imaginar.
Começou justamente no dia em que ouvi:
— Ivan, nós não podemos bancar essa venda.
Depois de tantos “nãos” que a vida já havia me dado, aquele poderia ter sido apenas mais um.
Mas não foi.
Dessa vez, eu estava prestes a descobrir que, algumas vezes, um “não” não encerra uma história.
Ele abre uma porta que você ainda não tinha enxergado.
CAPÍTULO 2
A VENDA QUE EU NÃO PUDE PERDER
Existem momentos na vida que parecem pequenos quando acontecem.
Uma conversa. Uma dificuldade. Um “não”.
Naquele instante, você não enxerga nada de especial. Enxerga apenas o problema que está diante de você.
Foi exatamente assim comigo.
Eu trabalhava, vendia e fazia aquilo que sabia fazer. Naquela época, uma venda significava resultado, comissão e dinheiro para o mês. Era simples assim.
Até que, um dia, aconteceu algo diferente.
Eu havia realizado uma boa venda. O cliente tinha condições de pagamento, o negócio estava encaminhado e tudo indicava que seria apenas mais uma venda concluída.
Mas surgiu um problema.
A empresa não poderia bancar aquela operação naquele momento.
A resposta foi direta:
— Ivan, nós não podemos bancar essa venda.
Aquilo poderia ter terminado ali.
Se a empresa não podia financiar, paciência. Eu perderia aquela oportunidade e seguiria em frente.
Mas alguma coisa dentro de mim não aceitou aquele “não” como ponto final.
Foi então que surgiu uma possibilidade:
— Ivan, por que você mesmo não banca essa venda?
A princípio, aquilo me causou estranheza.
Bancar a venda?
Como assim?
A ideia era simples: eu colocaria o meu próprio dinheiro na operação, financiaria a compra para o cliente e, em vez de receber apenas o resultado imediato daquela venda, passaria a receber as parcelas ao longo dos meses.
Minha primeira preocupação foi justamente essa:
— Então vou precisar esperar todo esse tempo para receber o meu dinheiro?
Não.
Eu começaria a receber as parcelas mensalmente. E, com os acréscimos do financiamento, aquela operação poderia gerar um resultado muito maior do que o que eu receberia em uma venda à vista.
Aquilo despertou alguma coisa em mim.
Hoje, contando essa história, pode parecer uma decisão simples.
Não foi.
Eu não tinha uma grande estrutura financeira. Não possuía uma fórmula pronta e muito menos conhecia todos os riscos envolvidos.
Mas eu tinha uma escolha.
Deixar aquela oportunidade passar ou assumir o risco e experimentar algo novo.
Eu decidi experimentar.
E foi nesse momento que alguma coisa começou a mudar dentro de mim.
Até então, vender significava realizar uma venda e receber por ela.
Ponto.
Mas, quando coloquei meu próprio dinheiro naquela operação, percebi algo diferente.
A venda não precisava terminar no dia em que o produto fosse entregue.
Ela poderia continuar produzindo resultado durante meses.
Pela primeira vez, comecei a enxergar a diferença entre simplesmente ganhar dinheiro e construir uma fonte de recebimentos.
Pode parecer apenas um detalhe.
Não é.
É uma mudança enorme na maneira de pensar.
Quando você trabalha somente pelo dinheiro daquele mês, muitas vezes o mês seguinte começa praticamente do zero.
Você vende, recebe, paga seus compromissos, utiliza o dinheiro e precisa começar novamente.
Mas ali havia algo diferente acontecendo.
O mês seguinte chegaria e parte daquele dinheiro continuaria voltando para mim.
Depois viria outro mês.
E outro.
E mais outro.
Foi então que uma pergunta começou a crescer dentro da minha cabeça:
“E se, em vez de fazer isso uma única vez, eu fizer várias vezes?”
Essa pergunta mudou muita coisa.
UMA CARTEIRA COMEÇA PEQUENA
Ninguém constrói uma grande carteira da noite para o dia.
A minha também não nasceu grande.
Ela começou pequena.
Começou com uma decisão.
Depois veio outra.
E depois mais uma.
Cada operação era como colocar um tijolo em uma construção. Sozinho, aquele tijolo talvez não impressionasse ninguém. Mas, quando você começa a colocar um ao lado do outro, alguma coisa começa a tomar forma.
Foi assim que a ideia de carteira começou a fazer sentido para mim.
Era como se o meu trabalho de ontem continuasse trabalhando por mim hoje.
Naquele momento, eu não sabia dar nomes sofisticados para aquilo.
Eu não falava sobre fluxo de caixa, carteira de recebíveis, formação de patrimônio ou estratégia financeira.
Primeiro eu vivi.
Depois fui entender.
E, no meio dessa descoberta, outra percepção começou a nascer.
Uma carteira não era formada apenas por números e valores a receber.
Ela era formada por pessoas.
Pessoas que confiaram em mim.
Pessoas que aceitaram fazer negócio comigo.
Clientes que acreditaram na minha palavra, no produto e na relação que havíamos construído.
Foi quando comecei a perceber que talvez o ativo mais valioso daquela história não fosse somente o dinheiro.
Era também a confiança.
E essa percepção ficaria comigo para sempre.
O MEU TRABALHO DE ONTEM CONTINUAVA VIVO
Seria fácil olhar para trás e dizer que foi sorte.
Durante algum tempo, talvez até parecesse.
Mas hoje eu sei que não foi simplesmente sorte.
Foi uma decisão.
Foi não aceitar um “não” como ponto final.
Foi procurar uma alternativa.
Foi enxergar uma possibilidade onde, inicialmente, eu enxergava apenas um problema.
Naquele dia, eu achava que estava apenas tentando salvar uma venda.
Hoje, entendo que estava começando a mudar a minha maneira de pensar.
Eu ainda cometeria muitos erros.
Ainda teria muito a aprender sobre dinheiro, crédito, risco, clientes e formação de carteira.
Mas uma porta havia sido aberta.
E, depois que você enxerga determinadas coisas, é muito difícil voltar a olhar para elas da mesma maneira.
Eu nunca mais enxergaria uma venda apenas como uma venda.
NEM TUDO FORAM ACERTOS
Seria muito bonito contar esta história dizendo que, depois daquela primeira experiência, tudo deu certo.
Mas não foi assim.
Nem tudo foram acertos.
Também houve tropeços.
Houve carteiras que banquei e que enfrentaram inadimplência. Houve clientes que não conseguiram cumprir aquilo que haviam combinado. Houve perdas.
E eu preciso falar sobre isso.
Se estou compartilhando aquilo que aprendi, não posso mostrar somente o lado bonito da história.
Algumas perdas doeram.
Quando você coloca o seu próprio dinheiro em uma operação e aquele dinheiro não retorna como esperava, a sensação é completamente diferente.
Mas hoje, olhando para trás, consigo perceber que aquelas experiências também fizeram parte da minha formação.
Perdi em algumas operações?
Sim.
Mas ganhei muito mais do que perdi.
E não estou falando apenas de dinheiro.
Ganhei experiência.
Cada erro me ensinou alguma coisa.
Aprendi que não basta ter dinheiro disponível e sair financiando vendas.
É preciso saber para quem você está vendendo.
É preciso avaliar quanto do seu capital pode ser comprometido.
É preciso entender o prazo da operação.
É preciso conhecer o risco que está assumindo.
E, principalmente, é preciso saber quanto você consegue suportar caso alguma coisa não aconteça conforme o planejado.
Eu não sabia tudo isso quando comecei.
Fui aprendendo fazendo.
Fui aprendendo observando.
E também fui aprendendo errando.
Algumas dessas lições tiveram preço.
VOCÊ NÃO PRECISA COMETER TODOS OS ERROS QUE EU COMETI
Existe uma razão muito importante para eu contar também os meus erros neste livro.
Quem começa hoje não precisa começar exatamente do ponto em que eu comecei.
Eu não tinha alguém ao meu lado explicando cada detalhe daquilo que estava fazendo.
Muitas coisas descobri na prática.
Por isso, ao longo destas páginas, quero compartilhar alguns cuidados que levei anos para compreender.
Quero mostrar erros que cometi para que você possa reconhecê-los antes de cometê-los.
Quero mostrar os caminhos que deram certo, mas também quero falar sobre aqueles que não deram.
Isso não significa que exista uma fórmula sem risco.
Ela não existe.
Qualquer operação que envolva crédito e recebimentos futuros possui riscos.
O conhecimento não elimina completamente esses riscos, mas pode ajudar você a tomar decisões mais conscientes, estabelecer limites e proteger melhor aquilo que está construindo.
Hoje, depois de tudo o que vivi, consigo olhar para uma carteira de uma maneira muito diferente daquele Ivan que decidiu bancar sua primeira venda.
Naquele tempo, eu tinha coragem.
Hoje, além da coragem, tenho experiência.
E, se existe algo que aprendi na prática, é que coragem sem controle pode se transformar em imprudência.
ANTES DA CARTEIRA, VEM A BASE
Se você decidir construir uma carteira, não pense apenas em fazê-la crescer.
Pense também em protegê-la.
Pense em construir uma base.
Pense em quanto pode investir sem comprometer a sua segurança.
Pense no que aconteceria se um cliente atrasasse.
E se fossem dois?
E se uma parte do dinheiro que você esperava receber naquele mês simplesmente não entrasse?
Essas perguntas não existem para causar medo.
Existem para trazer consciência.
Porque uma carteira saudável não começa no dia em que você faz uma venda.
Ela começa antes.
Começa quando você constrói uma estrutura capaz de sustentar aquilo que pretende fazer.
Foi assim que aprendi uma das lições mais importantes da minha vida financeira:
oportunidade sem preparação pode se transformar em problema.
Na primeira vez em que banquei uma venda, enxerguei a possibilidade de construir uma carteira.
Com o passar do tempo, descobri algo ainda mais importante:
Para aproveitar boas oportunidades sem colocar tudo em risco, eu precisava ter dinheiro disponível.
Precisava ter segurança.
Precisava ter uma base.
Precisava construir uma reserva.
E foi então que o dinheiro guardado deixou de significar, para mim, dinheiro parado.
Ele passou a significar liberdade.
Liberdade para escolher.
Liberdade para aproveitar uma oportunidade.
Liberdade para atravessar um momento difícil sem destruir aquilo que levei tanto tempo para construir.
Foi aí que começou a próxima etapa da minha história.
Antes de aprender a construir uma grande carteira, eu precisava aprender uma coisa fundamental:
reserva não é luxo.
CAPÍTULO 3
RESERVA NÃO É LUXO
Durante muito tempo, eu olhava para o dinheiro de um jeito muito simples: dinheiro bom era dinheiro trabalhando.
Dinheiro parado parecia desperdício.
Eu pensava: se o dinheiro está quieto, ele não está servindo para nada.
Hoje penso de uma maneira completamente diferente.
Mas só consigo pensar assim porque, um dia, pensei exatamente o contrário.
Quando comecei a bancar minhas primeiras vendas, minha preocupação era fazer a operação acontecer. Eu queria girar, crescer, vender mais e fazer aquilo dar certo.
Só que uma carteira tem uma característica própria: ela devolve o dinheiro aos poucos, mês após mês.
E a vida real nem sempre espera.
Existem contas que vencem. Imprevistos aparecem. Clientes podem atrasar. Surgem despesas que não estavam nos planos. E há situações que simplesmente fogem do nosso controle.
Foi então que comecei a perceber uma coisa:
Não adiantava construir uma carteira se eu não tivesse uma base para sustentá-la.
Se eu colocasse tudo o que tinha nas operações, poderia até estar crescendo, mas continuaria vulnerável.
No começo, essa ideia me incomodava.
Guardar dinheiro parecia significar deixar oportunidades passarem.
Eu olhava para aquele valor e pensava que poderia estar usando-o para fazer mais uma venda, financiar mais um cliente, aumentar minha carteira.
Mas, com o tempo, entendi uma das coisas mais importantes da minha vida financeira:
Reserva não é dinheiro parado. Reserva é liberdade guardada.
RESERVA É LIBERDADE
Quando você tem uma reserva, começa a tomar decisões de maneira diferente.
Você dorme diferente.
Negocia diferente.
Pensa diferente.
E, principalmente, não precisa aceitar qualquer coisa por desespero.
A reserva não existe somente para uma emergência financeira. Ela existe também para proteger sua tranquilidade.
E proteger sua tranquilidade é proteger sua capacidade de continuar construindo.
Eu não aprendi isso em uma sala de aula.
Não aprendi lendo um manual.
Aprendi vivendo.
Aprendi sentindo na pele a diferença entre ter uma reserva e precisar de um dinheiro que eu não tinha disponível.
Não foi teoria.
Foi necessidade.
E talvez essa seja uma das lições mais importantes que quero deixar neste livro.
Antes de pensar em crescer a qualquer custo, pense em criar uma base.
Pense em criar fôlego.
Pense em ter margem suficiente para enfrentar um problema sem destruir aquilo que levou tanto tempo para construir.
Reserva é aquilo que lhe dá tempo.
E tempo é um dos ativos mais valiosos que existem.
Foi com essa compreensão que parei de olhar para a reserva como um freio.
Ela passou a ser, para mim, aquilo que realmente sempre foi:
um acelerador silencioso.
É a reserva que permite atravessar uma fase ruim.
É ela que permite esperar uma boa oportunidade.
É ela que impede que uma dificuldade passageira destrua algo que levou anos de trabalho para ser construído.
A partir daquele momento, reserva deixou de ser uma dúvida.
Virou um pilar.
E é sobre esse pilar que todo o restante começa a fazer sentido.
Porque não existe construção duradoura sem uma boa base.
RESERVA NÃO É MEDO. É FORÇA.
Existe uma diferença enorme entre guardar dinheiro por medo e construir uma reserva com propósito.
Não estou falando de viver com medo de gastar.
Não estou dizendo que você precisa deixar de aproveitar a vida, abandonar seus sonhos ou passar a existência inteira acumulando dinheiro sem usufruir daquilo que conquistou.
Estou falando de liberdade de escolha.
Quando você não tem reserva, muitas vezes não escolhe.
Você aceita.
Aceita vender porque precisa urgentemente do dinheiro.
Aceita um negócio ruim porque precisa resolver um problema.
Aceita uma condição que normalmente não aceitaria porque não tem tempo para esperar.
A falta de reserva transforma o tempo em inimigo.
Quando existe uma conta vencendo amanhã e você não tem dinheiro para pagá-la, amanhã chega rápido demais.
Mas, quando existe uma reserva, você recupera algo muito importante:
o direito de esperar.
Esperar o melhor momento.
Esperar a melhor oportunidade.
Esperar para tomar uma decisão com a cabeça tranquila, e não pressionado pela necessidade.
Foi aí que comecei a entender que reserva financeira não era apenas uma questão de dinheiro.
Era também uma questão de tranquilidade.
A FALTA DE DINHEIRO OCUPA ESPAÇO NA CABEÇA
Existe algo sobre dinheiro que pouca gente fala.
A falta dele ocupa espaço na cabeça.
Quando você está preocupado com uma conta, com uma parcela, com um compromisso ou com alguma emergência que apareceu, torna-se muito mais difícil pensar em crescimento.
Sua cabeça fica ocupada tentando apagar incêndios.
Eu conheço essa sensação.
Por isso, quando comecei a construir uma reserva, percebi que não estava acumulando apenas dinheiro.
Estava acumulando tranquilidade.
E tranquilidade também produz resultado.
Uma pessoa desesperada toma decisões diferentes de uma pessoa preparada.
Quem está desesperado olha apenas para hoje.
Quem está preparado consegue olhar também para amanhã.
E construir patrimônio exige justamente isso: conseguir enxergar além do dia de hoje.
NÃO ESPERE SOBRAR
Outra coisa que aprendi é que existe uma frase muito perigosa quando o assunto é dinheiro:
“Quando sobrar, eu guardo.”
O problema é que quase nunca sobra.
Quanto mais a gente ganha, mais facilmente encontra uma maneira de gastar.
A vida vai aumentando junto com a renda.
Aparecem novos desejos.
Novos compromissos.
Novos hábitos.
Novas despesas.
E, quando percebemos, aquele dinheiro que imaginávamos que sobraria simplesmente desapareceu.
Por isso, comecei a entender que a reserva não deveria ser aquilo que sobra depois de tudo.
Ela precisava fazer parte do planejamento.
O valor pode começar pequeno.
O mais importante, no início, não é o tamanho da reserva.
É o hábito.
Porque quem aprende a cuidar de pouco começa a desenvolver a disciplina necessária para administrar muito.
Não espere ficar rico para aprender a cuidar do dinheiro.
Aprenda a cuidar do dinheiro para estar preparado quando ele chegar.
Essa diferença parece pequena.
Mas pode mudar uma vida inteira.
DÊ UMA FUNÇÃO AO SEU DINHEIRO
Também aprendi que guardar dinheiro sem saber para quê pode tornar tudo mais difícil.
Quando existe um propósito, a reserva ganha significado.
Pode existir uma reserva para emergências.
Uma reserva para aproveitar oportunidades.
Um capital destinado à construção da carteira.
Uma segurança para a família.
O importante é saber por que aquele dinheiro está ali.
Porque, quando não existe propósito, qualquer desejo parece ser motivo suficiente para mexer nele.
E existe uma diferença enorme entre ter dinheiro disponível na conta e ter dinheiro disponível para gastar.
Nem todo dinheiro que está na sua conta pode ser considerado sobra.
Essa foi uma mudança importante na minha maneira de pensar.
Comecei a dar função ao dinheiro.
Uma parte tinha determinada finalidade.
Outra parte tinha outro objetivo.
E aquilo que estava destinado a proteger minha estrutura precisava permanecer protegido.
Foi quando comecei a perceber que administrar dinheiro não significava apenas saber quanto entrava e quanto saía.
Significava também saber para onde cada parte deveria ir.
A RESERVA TAMBÉM PREPARA VOCÊ PARA AS OPORTUNIDADES
Depois de algum tempo, percebi algo ainda mais interessante.
A reserva não servia apenas para me defender dos problemas.
Ela também me preparava para as oportunidades.
Lembra daquela primeira venda que a empresa não podia bancar?
Imagine se, naquele momento, eu não tivesse condição alguma de assumir aquela operação.
A oportunidade poderia estar diante dos meus olhos.
Eu poderia enxergá-la.
Poderia saber que era um bom negócio.
Poderia querer aproveitá-la.
Mas, sem recurso disponível, teria apenas que assistir àquela oportunidade passar.
Foi então que compreendi algo que carregaria comigo durante toda a minha trajetória:
Oportunidade sem recurso disponível é apenas uma oportunidade que você assiste passar.
Foi aí que minha visão mudou completamente.
Eu não queria construir uma reserva pensando apenas no dia ruim.
Queria estar preparado também para o dia bom.
Para aquela oportunidade que aparece sem avisar.
Para aquele negócio que faz sentido.
Para aquele momento em que você olha e pensa:
“É agora.”
E poder dizer “sim” sem colocar toda a sua vida financeira em risco.
PRIMEIRO A BASE, DEPOIS O CRESCIMENTO
Com o tempo, comecei a enxergar minha vida financeira como uma construção.
Ninguém começa uma casa pelo telhado.
Primeiro vem a fundação.
Depois levantamos as paredes.
E somente quando existe estrutura podemos pensar em aumentar a construção.
Com o dinheiro acontece algo parecido.
Muita gente quer crescer rápido.
Eu também queria.
E não existe nada de errado em querer crescer.
O problema está em crescer sem estrutura.
Porque, quanto maior aquilo que você constrói, maior precisa ser a base capaz de sustentá-lo.
Foi por isso que a reserva passou a ocupar um lugar tão importante na minha maneira de pensar.
Ela não existia para impedir meu crescimento.
Existia justamente para permitir que eu crescesse sem colocar tudo o que já havia conquistado em risco.
Existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.
NÃO COLOQUE TUDO NA MESA
Esse foi outro aprendizado importante.
Quando começamos a enxergar oportunidades, existe uma tentação de colocar tudo aquilo que temos em jogo.
A gente pensa:
“Se isso está dando resultado, por que não colocar tudo aqui?”
Foi justamente a experiência que me ensinou a tomar cuidado com esse pensamento.
Nenhuma oportunidade deve ser tão importante a ponto de colocar em risco toda a sua segurança.
Você precisa saber até onde pode ir.
Precisa conhecer seus limites.
Precisa compreender que crescer um pouco mais devagar pode ser muito melhor do que crescer rapidamente e depois perder tudo por falta de estrutura.
Isso vale especialmente quando estamos falando de carteira de recebíveis.
O dinheiro que está para entrar ainda não entrou.
Existe uma expectativa de recebimento, mas também existe risco.
Por isso, não podemos tratar o dinheiro futuro como se ele já estivesse no bolso.
A carteira pode crescer.
Mas a segurança precisa crescer junto.
O DINHEIRO PRECISA TRABALHAR, MAS VOCÊ PRECISA DORMIR
Continuo acreditando que dinheiro precisa ter propósito.
Continuo acreditando em fazer o dinheiro trabalhar.
Continuo acreditando em construir, investir e aproveitar boas oportunidades.
Mas aprendi também que não adianta colocar todo o dinheiro para trabalhar e passar a noite acordado, preocupado com o que poderá acontecer amanhã.
O patrimônio precisa crescer.
Mas a tranquilidade também precisa crescer junto.
Para mim, prosperidade não é apenas olhar para uma carteira e enxergar um número grande.
É olhar para aquilo que você construiu e saber que existe estrutura por trás.
É saber que uma dificuldade não derruba tudo.
É saber que você consegue atravessar um momento complicado.
É saber que pode continuar.
Foi assim que a reserva deixou de representar dinheiro parado.
Ela passou a representar dinheiro preparado.
Preparado para uma emergência.
Preparado para uma oportunidade.
Preparado para proteger aquilo que eu já havia construído.
E preparado para me ajudar a construir aquilo que ainda estava por vir.
O QUE EU QUERO QUE VOCÊ LEVE DESTE CAPÍTULO
Se existe uma ideia que eu gostaria que ficasse na sua cabeça depois destas páginas, é esta:
Reserva não é luxo.
Não importa se você está começando com pouco.
O começo não precisa impressionar ninguém.
Precisa apenas existir.
O importante é desenvolver o hábito de separar, proteger e dar propósito a uma parte daquilo que você conquista.
Porque existe uma grande diferença entre ganhar dinheiro e conseguir mantê-lo.
E existe uma diferença ainda maior entre simplesmente guardar dinheiro e utilizá-lo como uma ferramenta para construir liberdade.
Eu aprendi isso vivendo.
Aprendi errando.
Aprendi quando precisei de dinheiro.
E aprendi também quando uma oportunidade apareceu diante de mim e percebi o valor de estar preparado para aproveitá-la.
Por isso, hoje eu diria:
Quem constrói uma reserva não está se preparando apenas para quando alguma coisa der errado. Está se preparando também para quando a coisa certa aparecer.
A reserva me deu base.
A experiência me ensinou a respeitar o risco.
A carteira me mostrou o poder do tempo.
Mas ainda faltava juntar todas essas peças.
Eu precisava transformar aquilo que havia aprendido na prática em uma forma organizada de construir.
Precisava entender quanto colocar.
Quanto preservar.
Quanto reinvestir.
Como fazer uma carteira crescer sem perder a base que a sustentava.
Era hora de colocar os números na mesa.
E é exatamente isso que faremos a seguir.
No próximo capítulo, vamos conhecer A PLANILHA DE 1000.000,00
CAPÍTULO 4
O DIFÍCIL NÃO É GUARDAR. É NÃO MEXER.
Existe uma coisa curiosa quando falamos sobre dinheiro.
Quase todo mundo sabe que deveria guardar alguma coisa.
Não é necessário ser economista para entender isso.
Se eu perguntar a dez pessoas se gostariam de ter uma reserva financeira, provavelmente quase todas responderão que sim.
Se perguntar se consideram importante poupar, a resposta também será positiva.
Então surge uma pergunta:
Se sabemos que guardar dinheiro é importante, por que é tão difícil fazer isso?
Durante muito tempo, pensei que a resposta estivesse apenas na quantidade de dinheiro que uma pessoa ganha.
Quem ganha pouco não guarda porque sobra pouco.
Quem ganha mais consegue guardar porque tem mais dinheiro disponível.
Parece lógico.
Mas a vida foi me mostrando que não é tão simples assim.
Conheci pessoas que aumentaram muito a renda e continuaram sem conseguir guardar.
Quanto mais ganhavam, mais gastavam.
O padrão de vida crescia junto.
O carro melhorava.
As despesas aumentavam.
Apareciam novos compromissos, novos desejos, novas necessidades.
E aquela frase continuava sendo repetida:
“Quando sobrar, eu começo a guardar.”
Só que nunca sobrava.
Foi quando comecei a perceber que poupar não é apenas uma questão matemática.
Existe também uma batalha acontecendo dentro de nós.
Uma batalha entre aquilo que queremos agora e aquilo que dizemos querer para o futuro.
OS DEZ REAIS
Imagine uma situação muito simples.
Você decide hoje:
“Vou começar a guardar dinheiro.”
Não precisa ser muito.
Vamos imaginar dez reais.
Você pega aqueles dez reais e guarda.
Talvez pareça pouco.
E realmente é pouco quando olhamos apenas para aquele momento.
Mas aqueles dez reais representam alguma coisa muito maior.
Representam uma decisão.
Você acabou de dizer para si mesmo:
“Uma parte daquilo que eu ganho não será consumida hoje. Ela pertence ao meu futuro.”
Passam alguns dias.
Então surge alguma coisa.
Pode ser uma vontade.
Uma compra.
Um convite.
Uma promoção.
Ou simplesmente uma despesa que você não estava esperando.
Você lembra daqueles dez reais.
Eles estão ali.
Disponíveis.
E uma voz muito convincente aparece dentro da sua cabeça:
“Pega agora. Depois você coloca de volta.”
Pronto.
Você pega.
E provavelmente pensa:
“São apenas dez reais.”
Financeiramente, talvez sejam mesmo.
Mas existe algo muito maior acontecendo.
Você acabou de quebrar um compromisso que havia feito consigo mesmo.
E esse talvez seja um dos maiores inimigos da construção de uma reserva:
a facilidade de negociar conosco mesmos.
O EU DE HOJE E O EU DE AMANHÃ
Anos depois de começar minha caminhada, descobri que estudiosos haviam pesquisado justamente esse comportamento.
Um deles é Richard Thaler, economista que recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2017 por suas contribuições à economia comportamental. Entre os temas estudados por Thaler está justamente o problema do autocontrole.
Ele e Hersh Shefrin propuseram uma maneira interessante de compreender esse conflito: dentro de nós parece existir um lado que planeja e outro que simplesmente faz.
O planejador pensa no futuro.
O outro olha para o prazer e para a necessidade do momento.
Eu achei isso extraordinário quando conheci essa ideia.
Porque é exatamente o que acontece com os nossos dez reais.
Quando decidimos guardá-los, quem está falando é o nosso lado planejador:
“Quero construir uma reserva.”
“Quero ter segurança.”
“Quero comprar minha casa.”
“Quero construir patrimônio.”
“Quero mudar minha vida.”
Mas, alguns dias depois, o presente aparece.
E o nosso outro lado pergunta:
“Mas por que não gastar só desta vez?”
É uma conversa silenciosa.
E acontece todos os dias.
Não apenas com dinheiro.
Acontece com alimentação.
Com estudos.
Com exercício físico.
Com compromissos.
Com praticamente tudo aquilo em que precisamos abrir mão de uma satisfação imediata para receber um benefício maior no futuro.
O próprio trabalho de Thaler ajuda a explicar por que tentações de curto prazo podem fazer planos de poupança e escolhas de vida mais saudáveis fracassarem.
Foi quando percebi uma coisa:
Talvez nosso maior adversário financeiro não esteja do lado de fora.
Talvez ele esteja dentro de nós.
A DISTRAÇÃO É SILENCIOSA
Existe outra palavra que considero muito importante:
distração.
Normalmente imaginamos que alguém abandona um objetivo porque tomou uma grande decisão.
Nem sempre.
Às vezes, a pessoa simplesmente vai se distraindo.
Hoje não dá.
Amanhã eu faço.
Este mês apertou.
No próximo começo.
Vou gastar só desta vez.
Segunda-feira eu volto.
E, pouco a pouco, um objetivo importante vai perdendo espaço para pequenas coisas urgentes.
O Banco Mundial já chamou atenção para barreiras comportamentais desse tipo na poupança: valorizamos excessivamente o presente, adiamos decisões e temos atenção limitada diante de tantas demandas do dia a dia.
Talvez você já tenha vivido isso.
Você decide guardar dinheiro em janeiro.
Guarda em fevereiro.
Guarda em março.
Então alguma coisa acontece em abril.
Você mexe naquele dinheiro.
Em maio já não guarda.
Em junho pensa em começar novamente.
Quando percebe, chegou dezembro.
E então vem aquela velha promessa:
“Ano que vem eu começo direito.”
Não necessariamente faltou capacidade.
Talvez tenha faltado constância.
EU TAMBÉM ME DISTRAIO
Vou abrir um parêntese neste capítulo porque não quero parecer alguém que descobriu tudo isso e passou a viver perfeitamente.
Eu também me distraio.
Recentemente, vivi uma situação que me fez pensar bastante sobre isso.
Eu estava sem fazer academia.
Sabia que precisava fazer.
Sabia da importância da atividade física para minha saúde, meu condicionamento e minha qualidade de vida.
Conhecimento não era o problema.
Eu sabia.
Mas não estava fazendo.
Por quê?
Displicência.
Distração.
A vida vai acontecendo.
O trabalho ocupa espaço.
Aparecem compromissos.
Você deixa para amanhã.
E amanhã encontra outra desculpa.
Até que meu filho começou a conversar comigo.
Ele falava sobre a importância de eu voltar a cuidar do meu condicionamento.
E começou a insistir também para que eu tivesse um personal trainer.
Confesso:
eu não queria.
Pensava comigo:
“Para que personal? Eu consigo fazer sozinho.”
Talvez você já tenha pensado algo parecido em alguma área da sua vida.
Mas meu filho insistiu.
Acabei ouvindo o conselho dele e contratei um personal.
E preciso confessar outra coisa:
foi uma excelente decisão.
Comecei a fazer.
Estou mantendo.
E está dando certo.
Mas aconteceu algo interessante.
Um dia comecei a pensar:
O que exatamente meu personal faz por mim?
Ele não levanta o peso no meu lugar.
Não corre por mim.
Não cuida da minha alimentação por mim.
Não pode colocar condicionamento físico dentro do meu corpo.
Quem precisa fazer sou eu.
Então qual é o papel dele?
Uma das coisas que ele faz é me ajudar a manter um compromisso que eu mesmo decidi assumir.
E foi impossível não relacionar isso com dinheiro.
TALVEZ EU POSSA SER O SEU “PERSONAL”
Talvez aconteça a mesma coisa com você em relação à poupança.
Provavelmente você não precisa que alguém lhe diga que guardar dinheiro é importante.
Você já sabe.
Talvez já tenha começado várias vezes.
O problema pode não ser começar.
O problema pode ser continuar depois que a empolgação do começo desaparecer.
Então permita-me fazer uma proposta.
Não vou administrar seu dinheiro.
Não vou tomar decisões por você.
Muito menos prometo que aquilo que funcionou para mim funcionará exatamente da mesma maneira para você.
Mas talvez, durante estas páginas, eu possa cumprir um pouco o papel que meu personal cumpre comigo.
Lembrar você do compromisso que você mesmo decidiu assumir.
Eu não posso guardar seus dez reais.
Assim como meu personal não pode levantar meus pesos.
Mas posso estar aqui para dizer:
“Não pare.”
“Lembre-se por que começou.”
“Não transforme uma distração de hoje na desistência do sonho de amanhã.”
Se este livro conseguir fazer isso algumas vezes, talvez eu tenha sido um pequeno “personal” da sua disciplina financeira.
E, no final, posso compartilhar algumas das práticas que aprendi ao longo da minha própria caminhada.
Mas existe uma condição:
quem terá que fazer será você.
MOTIVAÇÃO COMEÇA. DISCIPLINA CONTINUA.
Quando alguém começa uma academia, normalmente começa animado.
Compra roupa.
Escolhe o horário.
Faz planos.
Na primeira semana, tudo parece fácil.
Com dinheiro acontece algo parecido.
Você abre uma conta.
Faz o primeiro depósito.
Anota uma meta.
Decide:
“Agora vai.”
O problema aparece depois.
Quando a novidade passa.
Quando ninguém está olhando.
Quando aparece algo que você quer comprar.
Quando guardar deixa de ser emocionante.
É nesse momento que começa a parte mais importante.
Porque motivação é maravilhosa para começar.
Mas não podemos depender dela para continuar.
Precisamos criar mecanismos que nos ajudem nos dias comuns.
Há pesquisas em economia comportamental justamente sobre isso. Em um conhecido programa estudado por Richard Thaler e Shlomo Benartzi, trabalhadores assumiam antecipadamente o compromisso de aumentar a poupança à medida que recebessem aumentos salariais. Em uma das implementações relatadas, a taxa média de poupança dos participantes que aderiram passou de 3,5% para 13,6% ao longo de 40 meses. Isso não é promessa de resultado para ninguém; o que me interessa nessa experiência é a ideia por trás dela: o compromisso foi organizado antes que o dinheiro adicional estivesse disponível para ser gasto.
Isso me ensinou uma ideia simples:
Não deixe todas as decisões importantes para o momento da tentação.
Decida antes.
CRIE DIFICULDADE PARA MEXER
Se você realmente deseja guardar dinheiro, talvez precise dificultar um pouco o acesso a ele.
Não estou dizendo para colocar todo o seu dinheiro em algo que você não consiga acessar numa emergência.
Já falamos no capítulo anterior sobre a importância da reserva e da liquidez.
Estou falando de outra coisa.
Estou falando de não deixar o dinheiro do seu futuro misturado com o dinheiro do seu dia a dia.
Porque, quando tudo está no mesmo lugar, nosso cérebro começa a fazer contas perigosas.
“Tem dinheiro.”
Não.
Talvez tenha dinheiro na conta.
Isso não significa que tenha dinheiro para gastar.
Essa diferença mudou muito a minha maneira de pensar.
Pesquisas sobre poupança mostram justamente que mecanismos de compromisso podem ajudar algumas pessoas a proteger objetivos futuros contra tentações presentes.
Portanto, crie regras.
Separe.
Dê nome.
Dê finalidade.
Torne visível aquilo que está construindo.
E estabeleça limites para você mesmo.
MAS E QUANDO SURGE UMA EMERGÊNCIA?
Aqui existe uma questão importante.
Você começa a guardar.
Constrói sua reserva.
E então acontece alguma coisa inesperada.
Você precisa usar aquele dinheiro.
Isso significa que fracassou?
Não.
Se aquele dinheiro foi criado justamente como reserva de emergência e surgiu uma emergência verdadeira, ele cumpriu sua função.
O problema não é utilizar uma reserva quando realmente precisa dela.
O problema é transformar qualquer desejo em emergência.
É aí que precisamos aprender a fazer uma pergunta antes de mexer no dinheiro:
“Eu realmente preciso disso agora ou estou apenas encontrando uma justificativa para gastar?”
A resposta nem sempre será confortável.
Mas precisa ser sincera.
Se for uma emergência real, use aquilo que for necessário e depois comece a reconstruir.
Não transforme a utilização da reserva em desistência.
Esse ponto é fundamental.
Porque muita gente pensa:
“Eu tinha R$ 2 mil guardados. Precisei gastar. Perdi tudo. Então não adiantou nada.”
Adiantou.
Imagine enfrentar aquela mesma emergência sem os R$ 2 mil.
A reserva cumpriu exatamente o papel para o qual foi criada.
Agora é hora de reconstruí-la.
Recomeçar não significa voltar ao zero.
Você volta com experiência.
NÃO DESISTA PORQUE FALHOU UMA VEZ
Talvez essa seja uma das partes mais importantes deste capítulo.
Você vai falhar em algum momento.
Eu falhei.
Talvez você gaste algo que não deveria.
Talvez fique um mês sem guardar.
Talvez interrompa seu plano.
Talvez uma dificuldade obrigue você a mexer naquilo que estava construindo.
Não transforme um erro em abandono.
Uma pessoa que falta à academia um dia não perdeu todo o condicionamento.
O problema começa quando ela pensa:
“Já que faltei hoje, esta semana não vou mais.”
Depois:
“Mês que vem eu volto.”
E nunca volta.
Com dinheiro acontece exatamente a mesma coisa.
Gastou o que não deveria?
Reconheça.
Corrija.
E faça o próximo depósito.
Não espere janeiro.
Não espere segunda-feira.
Não espere o próximo aumento.
Volte.
A disciplina não está em nunca sair do caminho.
Muitas vezes, disciplina é perceber rapidamente que saiu e retornar.
POUCO NÃO É NADA
Existe outra desculpa que impede muita gente de começar:
“Eu tenho muito pouco para guardar.”
Então não guarda nada.
Esse raciocínio é perigoso.
Se hoje você só consegue guardar dez reais, talvez dez reais não transformem imediatamente sua situação financeira.
Mas o hábito que esses dez reais começam a construir pode transformar.
Existe uma diferença gigantesca entre pouco e nada.
Pouco pode crescer.
Nada continua sendo nada.
Não despreze um começo pequeno.
Eu comecei pequeno em muitas coisas na minha vida.
E aprendi que não devemos julgar uma semente pelo tamanho.
Devemos pensar naquilo que ela pode se tornar quando é plantada, protegida e alimentada.
Mais adiante neste livro vamos conversar justamente sobre sementes.
Por enquanto, quero apenas que você entenda:
guardar pouco ainda é guardar.
FAÇA UM COMPROMISSO COM VOCÊ
Talvez ninguém veja seu primeiro depósito.
Talvez ninguém aplauda.
Talvez dez, vinte ou cinquenta reais pareçam insignificantes diante do tamanho do sonho que você possui.
Não importa.
Você não está tentando impressionar ninguém.
Está tentando construir alguma coisa.
Comece com aquilo que consegue.
Depois continue.
E quando sua condição melhorar, aumente.
O importante é não deixar que todo aumento da sua renda se transforme automaticamente em aumento do seu padrão de vida.
Permita que uma parte da sua evolução também seja destinada ao Ivan de amanhã — ou, no seu caso, à pessoa que você será daqui a alguns anos.
Porque o seu futuro não é um estranho.
É você.
Só que alguns anos mais velho.
E aquilo que você fizer hoje chegará até ele.
O QUE EU QUERO QUE VOCÊ LEVE DESTE CAPÍTULO
Eu comecei este capítulo perguntando por que é tão difícil guardar dinheiro.
Hoje eu responderia assim:
Porque guardar não é apenas separar dinheiro.
É aprender a lidar com nossas vontades.
Com nossa pressa.
Com nossas distrações.
Com nossas justificativas.
E até com aquela voz que diz:
“Só desta vez.”
Não espere tornar-se uma pessoa perfeita para começar.
Eu não sou.
Você também não precisa ser.
Crie mecanismos.
Estabeleça compromissos.
Separe o dinheiro.
Dê propósito a ele.
E, principalmente, quando sair do caminho, volte.
Talvez você esteja esperando ganhar muito dinheiro para começar a construir patrimônio.
Eu gostaria de inverter essa lógica.
Comece a desenvolver hoje o comportamento da pessoa que você gostaria de ser quando tiver mais dinheiro.
Porque ganhar mais sem aprender a guardar pode apenas fazer você gastar mais.
O valor muda.
O comportamento permanece.
Meu filho me ajudou a perceber isso de uma maneira muito simples quando insistiu para que eu voltasse a cuidar do meu corpo.
Meu personal não faz o exercício por mim.
Mas me ajuda a manter o compromisso.
Neste livro, talvez eu consiga fazer um pouco disso por você.
Posso mostrar o caminho que percorri.
Posso contar onde errei.
Posso dividir aquilo que aprendi.
Posso lembrá-lo por que começou.
Mas existe uma parte que ninguém poderá fazer no seu lugar.
Guardar os primeiros dez reais.
E depois resistir à vontade de pegá-los de volta.
Porque, no final das contas, descobri uma verdade muito simples:
o difícil não é guardar.
O difícil é não mexer.
E, quando você aprende isso, algo começa a mudar.
Você deixa de ser apenas alguém que ganha e gasta dinheiro.
Começa a se tornar alguém que constrói.
E toda grande construção começa exatamente assim:
protegendo o primeiro tijolo.
CAPÍTULO 5
O TOMBO DE QUEM ACHA QUE CHEGOU
Existe um perigo sobre o qual pouca gente fala.
Normalmente, quando pensamos em dificuldades financeiras, pensamos em quem está ganhando pouco.
Pensamos na falta de dinheiro.
Nas contas atrasadas.
Na dificuldade para pagar os compromissos.
Mas existe outro momento perigoso na vida financeira de uma pessoa.
E ele pode aparecer justamente quando as coisas começam a dar certo.
Quando o dinheiro começa a entrar.
Quando as vendas aumentam.
Quando a carteira cresce.
Quando aquilo que durante muito tempo foi apenas um sonho começa a se tornar realidade.
Foi aí que aprendi uma lição que considero fundamental:
Às vezes, é mais difícil administrar a prosperidade do que enfrentar a dificuldade.
Quando você não tem dinheiro, sabe que precisa tomar cuidado.
Quando começa a ter, pode acreditar que não precisa mais.
E é aí que mora o perigo.
QUANDO A GENTE COMEÇA A ACHAR QUE ESTÁ RICO
Eu vivi isso.
Depois de muito trabalho, comecei a ver resultados que antes pareciam distantes.
Minha carteira crescia.
Havia valores para receber nos meses seguintes.
As coisas estavam acontecendo.
E existe uma sensação muito boa quando você olha para trás e percebe que todo aquele esforço começou a produzir resultado.
Você pensa:
“Agora deu certo.”
“Agora eu posso.”
“Agora minha vida mudou.”
E realmente pode ter mudado.
O problema começa quando confundimos uma melhora financeira com uma autorização para aumentar tudo.
A casa.
O carro.
As viagens.
As compras.
Os compromissos.
O padrão de vida.
De repente, aquilo que era exceção começa a virar rotina.
E existe uma característica muito perigosa no padrão de vida:
é muito fácil aumentá-lo e muito difícil diminuí-lo.
Você se acostuma rápido com o conforto.
Aquilo que ontem parecia luxo, amanhã parece necessidade.
Aquilo que você sonhava em ter passa a fazer parte da rotina.
E começa a surgir uma nova frase:
“Eu mereço.”
É claro que você merece aproveitar aquilo que conquistou.
Eu não acredito em trabalhar a vida inteira sem usufruir de nada.
O problema não está em aproveitar.
O problema está em transformar toda conquista em uma nova despesa permanente.
EU TAMBÉM CAÍ NESSA ARMADILHA
Não quero escrever este capítulo apontando o dedo para ninguém.
Estou falando de algo que conheço.
Eu também precisei aprender a lidar com a sensação de que havia chegado.
Quando você vem de uma realidade difícil, conquistar alguma coisa tem um significado ainda maior.
Talvez exista até uma vontade de compensar aquilo que você não teve.
Você passou muito tempo sem poder.
Agora pode.
E quando finalmente pode, dizer “não” para si mesmo pode parecer absurdo.
“Trabalhei tanto para quê?”
“Não posso aproveitar?”
“Não posso comprar aquilo que sempre quis?”
Pode.
É claro que pode.
Mas existe uma pergunta que demorei para aprender a fazer:
Eu posso comprar ou apenas tenho dinheiro para comprar?
Parece a mesma coisa.
Não é.
Ter dinheiro disponível hoje não significa que aquela decisão seja saudável para aquilo que estou construindo.
Foi preciso amadurecer para entender essa diferença.
CARTEIRA NÃO É DINHEIRO NO BOLSO
Esse aprendizado foi ainda mais importante para mim porque eu trabalhava construindo uma carteira de recebíveis.
E aqui existe uma diferença que precisamos compreender.
Imagine que você tenha uma grande quantidade de dinheiro para receber nos próximos meses ou anos.
Quando olha para o total, o número pode impressionar.
Você pode pensar:
“Eu tenho tudo isso.”
Mas existe uma palavra muito importante nessa frase:
receber.
Você ainda vai receber.
O dinheiro não está todo disponível hoje.
Existem prazos.
Existem compromissos.
Existe risco.
Pode existir atraso.
Pode existir inadimplência.
Podem surgir acontecimentos que você não previa.
Por isso, uma carteira de recebíveis pode representar patrimônio e fluxo futuro, mas não deve ser confundida com dinheiro disponível na conta.
Eu precisei aprender a respeitar essa diferença.
Porque existe um perigo enorme quando começamos a gastar hoje baseados naquilo que acreditamos que receberemos amanhã.
O amanhã ainda não chegou.
O DINHEIRO FUTURO PODE CRIAR UMA RIQUEZA IMAGINÁRIA
Imagine uma pessoa olhando para sua carteira e enxergando um valor muito alto.
Ela começa a fazer contas.
“Tenho tanto para receber.”
Então troca o carro.
Assume uma prestação maior.
Muda para uma casa mais cara.
Aumenta as despesas da família.
Passa a frequentar lugares mais caros.
Faz novos compromissos.
E cada decisão, isoladamente, parece caber.
O problema é que todas elas juntas criam uma nova vida financeira.
Agora essa pessoa precisa manter aquele padrão todos os meses.
Foi aí que compreendi uma coisa:
Patrimônio pode crescer rapidamente. O custo de vida também.
E, quando os dois começam a disputar uma corrida, é melhor saber quem está correndo mais rápido.
Porque não importa apenas quanto entra.
Importa quanto precisa sair para sustentar a vida que você criou.
O PADRÃO DE VIDA É SILENCIOSO
Raramente alguém acorda e decide:
“Hoje vou destruir minha vida financeira.”
Não acontece assim.
As decisões chegam pequenas.
Uma parcela aqui.
Uma assinatura ali.
Um carro um pouco melhor.
Uma viagem que cabe no cartão.
Um restaurante mais frequente.
Uma compra que antes você pensaria duas vezes, mas agora faz sem perceber.
Nenhuma dessas coisas, isoladamente, precisa ser um problema.
O perigo está no conjunto.
Pouco a pouco, seu custo de vida vai subindo.
E existe algo curioso:
Nós nos acostumamos muito rapidamente com aquilo que melhora.
O conforto de ontem vira o normal de hoje.
E aquilo que se torna normal passa a ser difícil de abandonar.
É por isso que algumas pessoas ganham muito mais do que ganhavam anos atrás e, ainda assim, continuam sentindo que o dinheiro não é suficiente.
A renda cresceu.
Mas a vida cresceu junto.
NÃO CONFUNDA RENDA COM RIQUEZA
Uma pessoa pode ganhar muito dinheiro e ainda assim estar financeiramente vulnerável.
Isso levou algum tempo para fazer sentido para mim.
Porque somos acostumados a observar sinais externos.
O carro.
A casa.
A roupa.
As viagens.
O restaurante.
Mas essas coisas mostram consumo.
Não necessariamente mostram patrimônio.
Às vezes mostram exatamente o contrário.
Podem mostrar compromissos.
Parcelas.
Financiamentos.
Obrigações.
Por isso, comecei a olhar para riqueza de outra maneira.
Para mim, riqueza passou a ter muito mais relação com liberdade.
Liberdade para escolher.
Liberdade para atravessar um período difícil.
Liberdade para não aceitar um negócio ruim por necessidade.
Liberdade para aproveitar uma oportunidade.
Liberdade para diminuir o ritmo quando necessário.
E, principalmente, liberdade para dormir sem precisar sustentar uma aparência.
O PERIGO DE QUERER MOSTRAR QUE VENCEU
Existe também uma armadilha emocional.
Quando você passou por dificuldades e finalmente começa a prosperar, pode surgir uma vontade silenciosa de mostrar que venceu.
Nem sempre fazemos isso conscientemente.
Às vezes queremos provar alguma coisa.
Para quem duvidou.
Para quem nos conheceu quando não tínhamos nada.
Para as pessoas ao nosso redor.
Ou até para nós mesmos.
Eu compreendo esse sentimento.
Mas existe uma pergunta que considero importante:
Quanto custa provar para os outros que você está bem?
Talvez custe um carro que você ainda não precisava trocar.
Talvez custe uma casa que aumentará demais suas despesas.
Talvez custe uma vida construída para impressionar pessoas que nem conhecem sua realidade.
Com o tempo, aprendi que não preciso parecer rico.
Preciso estar seguro.
Existe uma diferença enorme.
A aparência precisa da aprovação dos outros.
A segurança financeira pode existir em silêncio.
E, muitas vezes, ninguém percebe.
Talvez seja por isso que gosto tanto da expressão que deu origem a este livro:
ativo invisível.
As coisas mais importantes que construí financeiramente nem sempre eram aquelas que as pessoas conseguiam enxergar.
CUIDADO COM A PALAVRA “MEREÇO”
“Eu mereço.”
Quantas decisões financeiras começam com essas duas palavras?
E muitas vezes é verdade.
Você trabalhou.
Se esforçou.
Abriu mão de coisas.
Enfrentou dificuldades.
É natural querer aproveitar o resultado.
Eu também quero.
O problema não está no “mereço”.
Está no que vem depois dele.
Porque existe uma coisa que você também merece:
merece tranquilidade.
Merece uma reserva.
Merece não passar noites preocupado com parcelas.
Merece envelhecer com dignidade.
Merece ter escolhas.
Merece construir algo para sua família.
Merece não voltar ao lugar de onde lutou tanto para sair.
Então, da próxima vez que disser:
“Eu mereço comprar isso”,
talvez valha a pena acrescentar outra pergunta:
“E o meu futuro, o que merece?”
Essa pergunta muda muita coisa.
A ARMADILHA DA PARCELA
Existe uma forma muito fácil de tornar algo caro aparentemente barato:
transformá-lo em parcela.
Quando olhamos apenas para a prestação, podemos esquecer o tamanho do compromisso inteiro.
A pergunta deixa de ser:
“Quanto isso custa?”
E passa a ser:
“Quanto fica por mês?”
Essa mudança parece pequena.
Mas pode ser perigosa.
Porque uma parcela cabe.
Depois outra também.
E mais uma.
Até que chega um momento em que boa parte da renda do mês já pertence a decisões tomadas no passado.
Essa é uma sensação ruim.
O dinheiro entra, mas já chega comprometido.
Você trabalha hoje para pagar escolhas que fez meses ou anos atrás.
Por isso, comecei a respeitar muito mais o custo de assumir compromissos longos.
Não estou dizendo que parcelar é sempre errado.
Seria irresponsável dizer isso.
Estou dizendo apenas que toda parcela é uma pequena promessa feita pelo seu eu de hoje em nome do seu eu de amanhã.
E talvez o seu eu de amanhã tenha outros problemas para resolver.
QUANTO MAIS VOCÊ TEM, MAIS PRECISA DE CONTROLE
Existe uma ideia equivocada de que organização financeira é coisa para quem está sem dinheiro.
Eu penso exatamente o contrário.
Quanto mais você constrói, mais precisa saber cuidar.
Se você tem pouco e perde 10%, dói.
Se construiu muito e perde 10%, o número pode ser enorme.
O crescimento aumenta oportunidades.
Mas também aumenta responsabilidades.
Foi por isso que comecei a entender que ganhar dinheiro e administrar dinheiro são habilidades diferentes.
Você pode ser excelente para vender.
Pode ser excelente empresário.
Pode saber criar oportunidades.
Pode trabalhar como ninguém.
E ainda assim tomar decisões ruins com aquilo que conquistou.
Uma habilidade não garante a outra.
Eu precisei aprender as duas.
E continuo aprendendo.
NÃO É SOBRE VIVER MAL PARA MORRER RICO
Também não quero que você interprete este capítulo de maneira errada.
Não acredito que devemos passar pela vida inteira apenas acumulando.
Dinheiro também existe para proporcionar experiências, conforto e qualidade de vida.
Eu gosto de viver bem.
Gosto de proporcionar coisas boas para minha família.
Gosto de aproveitar aquilo que construí.
A questão é equilíbrio.
Desfrutar sem destruir.
Aproveitar o fruto sem arrancar a árvore.
Melhorar de vida sem criar uma estrutura tão pesada que você se torne prisioneiro dela.
Porque existe uma ironia nisso.
Algumas pessoas trabalham durante anos buscando liberdade financeira e, quando começam a ganhar mais, assumem tantos compromissos que ficam ainda menos livres.
A renda aumentou.
O patrimônio aumentou.
Mas a liberdade diminuiu.
Alguma coisa está errada nessa conta.
ANTES DE SUBIR UM DEGRAU, VEJA SE CONSEGUE PERMANECER NELE
Essa é uma regra que passei a considerar importante.
Melhorar o padrão de vida é natural.
O problema é fazer isso toda vez que a renda melhora.
Recebeu mais?
Não significa que imediatamente precise gastar mais.
Talvez seja interessante permanecer onde está por algum tempo.
Observar.
Fortalecer a reserva.
Diminuir dívidas.
Construir patrimônio.
Aumentar sua segurança.
Deixar o novo nível de renda se consolidar antes de criar um novo nível de despesa.
É como subir uma escada.
Não adianta chegar rapidamente ao próximo degrau se você não consegue permanecer nele.
Às vezes, crescer financeiramente significa justamente ter paciência para não demonstrar crescimento imediatamente.
Isso exige maturidade.
EU JÁ VI GENTE GANHAR MUITO E CONTINUAR SEM NADA
Ao longo da minha caminhada, conheci muitas pessoas.
Vi gente ganhar pouco e construir alguma coisa.
E vi gente ganhar muito e continuar sem nada.
Isso me ensinou que renda é importante, claro.
Mas comportamento também é.
Se toda vez que sua renda aumenta seu consumo aumenta na mesma proporção, você pode passar a vida correndo atrás do próprio padrão.
E essa corrida não termina.
Sempre existirá um carro melhor.
Uma casa maior.
Um telefone mais novo.
Uma viagem mais cara.
Um lugar mais sofisticado.
Se sua felicidade depender sempre do próximo nível, você nunca terá chegado.
Sempre faltará alguma coisa.
Talvez prosperidade também seja aprender a dizer:
“Eu poderia. Mas não preciso.”
Para mim, essa frase representa uma forma enorme de liberdade.
QUANDO VOCÊ ACHA QUE CHEGOU, É HORA DE PRESTAR MAIS ATENÇÃO
Existe uma fase da dificuldade em que estamos atentos a tudo.
Contamos dinheiro.
Pensamos antes de gastar.
Negociamos.
Avaliamos.
Quando as coisas melhoram, podemos relaxar justamente nos hábitos que nos ajudaram a chegar até ali.
Foi isso que aprendi:
o momento de prosperidade não é o momento de abandonar a disciplina.
É quando ela se torna ainda mais importante.
Porque agora existe mais para proteger.
Mais para administrar.
Mais para perder.
E também muito mais para construir.
A vitória não pode ser o começo da próxima derrota.
O QUE EU QUERO QUE VOCÊ LEVE DESTE CAPÍTULO
Se você está começando agora, talvez pense que este capítulo ainda não seja para você.
É.
Talvez seja justamente agora que precisa lê-lo.
Porque é muito melhor aprender a administrar a prosperidade antes que ela chegue.
Se um dia sua renda dobrar, espero que sua sabedoria também tenha crescido.
Se sua carteira aumentar, espero que sua disciplina aumente junto.
Se começar a ganhar valores que hoje parecem distantes, lembre-se do lugar de onde veio.
E não confunda aquilo que tem para receber com aquilo que tem disponível.
Não confunda consumo com patrimônio.
Não confunda aparência com riqueza.
Não confunda poder comprar com precisar comprar.
E, principalmente:
não deixe que o padrão de vida cresça mais rápido do que a sua liberdade.
Eu demorei para compreender algumas dessas coisas.
Em alguns momentos, precisei aprender sentindo o impacto das minhas próprias escolhas.
Por isso chamo este capítulo de O Tombo de Quem Acha que Chegou.
Porque o perigo não existe apenas quando estamos no chão.
Às vezes, ele aparece justamente quando começamos a subir.
E quanto mais alto você sobe, mais importante é saber onde está pisando.
Mas aprender a não gastar tudo é apenas uma parte da história.
Existe outra pergunta:
O que fazer com aquilo que conseguimos preservar?
Foi aí que aprendi uma das imagens mais simples e importantes da minha vida financeira.
Quando uma colheita chega, você pode consumir tudo.
Ou pode separar uma parte para plantar novamente.
Porque quem come todas as sementes pode até fazer uma grande festa hoje.
Mas amanhã não terá o que plantar.
E é exatamente sobre isso que quero conversar com você no próximo capítulo.
CAPÍTULO 6
NÃO COMA TODAS AS SEMENTES
Existe uma imagem muito simples que me acompanha quando penso em dinheiro.
Imagine um agricultor depois de uma boa colheita.
Ele trabalhou.
Preparou a terra.
Plantou.
Esperou.
Enfrentou sol, chuva, incerteza.
E finalmente chegou o momento da colheita.
Agora ele tem diante de si aquilo que produziu.
Ele pode olhar para tudo aquilo e pensar:
“É meu. Eu trabalhei por isso. Posso consumir tudo.”
E é verdade.
Ele pode.
Mas existe um problema.
Se comer todas as sementes, talvez faça uma grande festa hoje.
Amanhã, porém, quando chegar novamente o tempo de plantar, não terá o que colocar na terra.
Essa imagem me ensinou muito sobre dinheiro.
Porque, durante a vida, também fazemos colheitas.
Recebemos salário.
Comissões.
Lucros.
Parcelas.
Prêmios.
Resultados de negócios que construímos.
E toda vez que o dinheiro chega às nossas mãos, fazemos uma escolha.
Podemos consumir tudo.
Ou podemos separar algumas sementes.
Foi assim que aprendi uma das regras mais importantes da minha vida financeira:
Não coma todas as sementes.
O DINHEIRO QUE CHEGA NÃO PRECISA TERMINAR EM VOCÊ
Durante muito tempo, nossa relação com o dinheiro costuma seguir uma lógica bastante simples:
Trabalhamos.
Recebemos.
Gastamos.
Depois trabalhamos novamente.
Recebemos novamente.
Gastamos novamente.
E o ciclo continua.
Se nossa renda aumenta, muitas vezes aumentamos também aquilo que consumimos.
Foi justamente sobre isso que conversamos no capítulo anterior.
Mas existe outra possibilidade.
Quando o dinheiro chega, uma parte pode terminar seu caminho no consumo.
Outra parte pode continuar trabalhando.
Essa mudança parece pequena.
Para mim, foi enorme.
Porque comecei a perceber que nem todo dinheiro que entrava precisava sair.
Alguma coisa precisava permanecer.
Alguma coisa precisava voltar para a terra.
Alguma coisa precisava se transformar em semente.
FOI ASSIM QUE MINHA CARTEIRA COMEÇOU A CRESCER
Quando comecei a bancar vendas e receber as parcelas dos clientes, poderia simplesmente pegar tudo aquilo que entrava e gastar.
Afinal, o dinheiro era meu.
Eu havia trabalhado.
Tinha assumido o risco.
Tinha realizado a venda.
Por que não aproveitar?
Só que, se eu fizesse isso, cada operação terminaria quando a última parcela fosse recebida.
Então comecei a enxergar de outra maneira.
Parte daquilo que retornava poderia ajudar a gerar uma nova operação.
Depois outra.
E outra.
A colheita começava a produzir novas sementes.
É importante entender uma coisa.
Isso não significa que o dinheiro se multiplica sozinho.
Também não significa que toda operação dará certo.
Como já contei neste livro, enfrentei inadimplência, cometi erros e tive perdas.
O que mudou foi minha maneira de tratar aquilo que retornava.
Eu parei de enxergar todo recebimento como dinheiro disponível para consumo.
Uma parte daquele dinheiro tinha outro trabalho a fazer.
A PRIMEIRA SEMENTE É A MAIS DIFÍCIL
Quando você tem pouco, separar alguma coisa parece difícil.
Eu sei.
Se entram R$ 100 e você precisa de R$ 100, guardar R$ 10 parece muito.
Se entram R$ 1.000 e as despesas estão apertadas, separar R$ 100 pode parecer impossível.
É justamente por isso que muita gente espera.
“Quando eu ganhar mais, começo.”
Só que existe um perigo nessa frase.
Quem não aprende a separar quando tem pouco pode continuar encontrando motivos para não separar quando tiver muito.
Os números mudam.
O comportamento pode continuar exatamente igual.
Por isso, a primeira semente talvez seja a mais importante.
Não necessariamente pelo valor.
Mas pelo que ela representa.
Quando você preserva a primeira parte daquilo que ganhou, está ensinando a si mesmo:
“Nem tudo o que passa pelas minhas mãos precisa ser consumido.”
Essa é uma mudança de mentalidade.
UMA SEMENTE NÃO IMPRESSIONA NINGUÉM
Existe outra dificuldade.
Começar pequeno não impressiona.
Você olha para um valor guardado e pensa:
“Isso não vai mudar minha vida.”
Talvez ainda não.
Uma semente também parece insignificante quando está na palma da mão.
É pequena.
Silenciosa.
Não existe sombra.
Não existem frutos.
Não existe árvore.
Existe apenas uma possibilidade.
Mas plante.
Cuide.
Dê tempo.
E aquela pequena coisa pode se transformar em algo muito maior.
Com dinheiro, precisamos respeitar o tempo da mesma maneira.
Talvez o seu primeiro valor guardado não impressione ninguém.
Ótimo.
Ele não precisa impressionar ninguém.
Ele precisa permanecer plantado.
O PROBLEMA É ARRANCAR A SEMENTE DA TERRA
No capítulo anterior, falamos sobre aumentar o padrão de vida.
No capítulo 4, falamos sobre a dificuldade de não mexer no dinheiro guardado.
Agora quero juntar essas duas ideias.
Imagine que você plante uma semente hoje.
Amanhã fica curioso e tira da terra para ver se ela cresceu.
Depois planta novamente.
Dois dias depois, tira outra vez.
Nenhuma planta sobreviveria assim.
Mas fazemos algo parecido com o dinheiro.
Guardamos.
Mexemos.
Guardamos novamente.
Gastamos.
Começamos outra vez.
E ficamos frustrados porque aquilo não cresce.
Construção financeira precisa de tempo.
E tempo exige paciência.
Nem todo resultado precisa aparecer imediatamente.
Algumas das coisas mais importantes que construí na vida levaram anos.
Por isso, aprendi a respeitar aquilo que está crescendo mesmo quando ainda não parece grande.
COLHEITA NÃO É SÓ PARA PLANTAR
Agora preciso fazer uma observação importante.
Quando digo “não coma todas as sementes”, não estou dizendo:
“Não aproveite nada.”
Seria um erro.
O agricultor não guarda toda a colheita para plantar novamente.
Uma parte alimenta sua família.
Uma parte pode ser vendida.
Uma parte pode ser utilizada para outras necessidades.
E uma parte é preservada para o próximo plantio.
É justamente esse equilíbrio que considero saudável.
Dinheiro também serve para viver.
Serve para proporcionar conforto.
Serve para cuidar da família.
Serve para realizar sonhos.
Serve para celebrar conquistas.
O problema começa quando consumimos tudo e deixamos o futuro sem sementes.
Por isso, não quero ensinar você a ter medo de gastar.
Quero convidá-lo a aprender a não gastar tudo.
São coisas muito diferentes.
NÃO EXISTE UM PERCENTUAL MÁGICO
Talvez você esteja esperando que eu diga:
“Ivan, então qual porcentagem eu devo guardar?”
Dez por cento?
Vinte?
Trinta?
Minha resposta talvez não seja a que você esperava:
depende.
Depende da sua renda.
Das suas despesas.
Da sua família.
Das suas dívidas.
Da sua reserva.
Da fase da vida em que você está.
Dos riscos que consegue assumir.
Dos objetivos que deseja alcançar.
Não quero transformar minha experiência em uma fórmula rígida para a vida de outra pessoa.
O que quero transmitir é um princípio.
Sempre que for possível, preserve sementes.
Pode começar pequeno.
Pode aumentar com o tempo.
Mas crie o hábito.
E, conforme sua condição financeira melhorar, não deixe que todo aumento se transforme automaticamente em consumo.
Faça sua quantidade de sementes crescer também.
QUANDO GANHAR MAIS, PLANTE MAIS
Essa talvez seja uma das oportunidades mais desperdiçadas na vida financeira.
A pessoa recebe um aumento.
Imediatamente aumenta o padrão de vida.
Ganha uma comissão maior.
Já encontra onde gastar.
Fecha um grande negócio.
E antes mesmo de o dinheiro chegar, ele já tem destino.
Eu comecei a pensar de outra maneira.
Se minha colheita aumentou, por que minhas sementes também não deveriam aumentar?
Essa pergunta é poderosa.
Porque permite melhorar de vida sem abandonar a construção.
Você pode desfrutar de uma parte do crescimento.
Mas outra parte pode fortalecer seu futuro.
Assim, cada avanço não aumenta apenas aquilo que você consome.
Aumenta também aquilo que você possui.
O DINHEIRO PRECISA TER FILHOS
Durante minha trajetória, passei a usar uma maneira muito simples de pensar.
Eu queria que uma parte do meu dinheiro tivesse “filhos”.
Não estou falando de mágica.
Estou falando de fazer uma parte daquilo que conquistei produzir novos resultados.
No meu caso, uma das formas foi a carteira de recebíveis.
Eu utilizava capital em uma operação.
Recebia ao longo do tempo.
E parte do que retornava poderia financiar novas operações.
Aquilo criava continuidade.
Mas essa lógica não pertence apenas à minha atividade.
O princípio é maior:
não dependa para sempre apenas do próximo dia de trabalho para começar tudo novamente.
Tente construir alguma coisa que permaneça.
Uma reserva.
Um patrimônio.
Um negócio.
Um investimento adequado ao seu perfil.
Uma carteira.
Alguma estrutura que faça uma parte do esforço de ontem continuar existindo amanhã.
Foi exatamente isso que senti quando minha carteira começou a crescer.
Meu trabalho de ontem ainda estava vivo.
REINVESTIR NÃO É COLOCAR TUDO EM RISCO
Aqui existe uma diferença fundamental.
Reinvestir não significa pegar todo o dinheiro que você possui e colocá-lo novamente em uma operação.
Isso seria justamente o contrário de várias coisas que conversamos neste livro.
Lembra da reserva?
Ela continua importante.
Lembra do risco?
Ele continua existindo.
Lembra da inadimplência?
Ela pode acontecer.
Lembra da necessidade de dormir tranquilo?
Continua valendo.
Portanto, não confunda plantar sementes com jogar toda a colheita na terra.
Diversificar, preservar liquidez e respeitar seus limites continuam sendo fundamentais.
No meu caso, aprendi que uma carteira precisa crescer junto com a capacidade de suportar seus riscos.
Não adianta ter um valor enorme para receber e nenhum dinheiro disponível para enfrentar o mês de hoje.
Crescimento sem estrutura pode se transformar em fragilidade.
NÃO CONTE A COLHEITA ANTES DA HORA
Existe uma tentação muito comum quando começamos a construir.
Contar hoje aquilo que esperamos receber amanhã.
Eu já falei sobre isso, mas quero reforçar.
Uma parcela futura ainda é uma parcela futura.
Uma venda que será recebida durante dois anos não significa que todo aquele dinheiro está disponível hoje.
Uma expectativa de lucro ainda não é lucro realizado.
Uma carteira pode ter valor.
Pode representar patrimônio.
Pode produzir fluxo.
Mas precisa ser administrada com realidade.
Nunca permita que um número bonito no papel faça você esquecer do caixa.
O futuro precisa ser construído, não antecipadamente consumido.
Essa frase me acompanha.
Porque, quando começamos a gastar hoje aquilo que esperamos colher amanhã, fazemos exatamente o contrário do agricultor prudente.
Estamos comendo a colheita antes que ela exista.
O PODER NÃO ESTÁ EM UMA GRANDE DECISÃO
Muita gente espera um acontecimento extraordinário.
Uma grande venda.
Um grande negócio.
Uma herança.
Uma oportunidade única.
Talvez aconteça.
Talvez não.
Mas boa parte daquilo que construí não nasceu de uma única decisão gigantesca.
Nasceu de decisões repetidas.
Uma operação.
Depois outra.
Uma parcela que voltou.
Uma parte que permaneceu.
Uma nova oportunidade.
Mais uma decisão.
Mais tempo.
Mais disciplina.
O extraordinário, muitas vezes, nasce da repetição do ordinário.
Essa é uma coisa que eu gostaria muito que você entendesse.
Talvez hoje você não tenha uma grande quantidade para plantar.
Mas tem alguma semente?
Comece com ela.
NÃO DESPREZE O TEMPO
Existe um ingrediente que nenhuma pessoa consegue comprar de volta:
tempo.
Dinheiro perdido pode, em determinadas situações, ser recuperado.
Uma oportunidade perdida pode ser substituída por outra.
Mas o tempo que passou não retorna.
Por isso, começar pequeno hoje pode ser mais importante do que esperar condições perfeitas durante anos.
O tempo permite que hábitos amadureçam.
Permite que conhecimento aumente.
Permite corrigir erros.
Permite que uma pequena construção se transforme em algo relevante.
Quando olho para aquilo que construí, percebo que o tempo teve um papel enorme.
Não aconteceu de uma vez.
Foi sendo construído.
E talvez essa seja uma boa notícia.
Porque significa que você não precisa resolver sua vida financeira inteira hoje.
Precisa apenas começar a tomar decisões que façam sentido para o lugar onde deseja chegar.
NÃO TENHA VERGONHA DE PROTEGER O QUE É SEU
Existe ainda uma pressão que às vezes aparece quando começamos a prosperar.
As pessoas podem não compreender por que você continua tomando cuidado.
“Você tem dinheiro.”
“Pode gastar.”
“Para que guardar tanto?”
“Você trabalha demais.”
“Tem que aproveitar.”
Talvez algumas dessas pessoas tenham boas intenções.
Mas quem conhece seus objetivos é você.
Quem sabe das suas responsabilidades é você.
Quem precisará enfrentar as consequências das suas decisões também é você.
Aprendi que não preciso justificar para ninguém o fato de querer proteger aquilo que levei anos para construir.
Posso ser generoso.
Posso viver bem.
Posso aproveitar.
Mas também posso dizer não.
E existe muita liberdade nessa palavra.
A SEMENTE MAIS IMPORTANTE TALVEZ NÃO SEJA DINHEIRO
Quanto mais penso nessa metáfora, mais percebo que ela vai além das finanças.
Existem sementes de conhecimento.
Sementes de relacionamento.
Sementes de confiança.
Sementes que plantamos dentro dos nossos filhos.
Sementes que plantamos nas pessoas com quem trabalhamos.
Sementes que deixamos nos clientes.
Uma conversa pode ser uma semente.
Uma oportunidade oferecida a alguém pode ser uma semente.
Um exemplo pode ser uma semente.
Talvez você nunca veja algumas delas crescerem.
Mas isso não significa que não tenham sido plantadas.
Foi aí que comecei a perceber que o meu ativo invisível era muito maior do que uma carteira de recebíveis.
Havia pessoas.
Histórias.
Confiança.
Relacionamentos.
Família.
Conhecimento.
Experiências.
Coisas que não aparecem em uma conta bancária, mas que possuem um valor impossível de medir apenas em reais.
O QUE EU QUERO QUE VOCÊ LEVE DESTE CAPÍTULO
Se amanhã alguma coisa boa acontecer financeiramente na sua vida, comemore.
Se fizer uma boa venda, comemore.
Se receber uma comissão, comemore.
Se seu negócio crescer, comemore.
Se conseguir aumentar sua renda, comemore.
A vida também precisa ser celebrada.
Mas, antes de consumir toda a colheita, faça uma pergunta:
“Quais sementes eu vou preservar?”
Talvez seja dinheiro para sua reserva.
Talvez seja capital para seu negócio.
Talvez seja um investimento.
Talvez seja uma oportunidade de construir uma nova fonte de renda.
O formato pode mudar.
O princípio permanece.
Não coma todas as sementes.
Porque aquilo que você preserva hoje pode alimentar uma colheita que ainda nem consegue imaginar.
Eu comecei este livro contando sobre um menino de sete anos com as mãos machucadas pelo trabalho.
Naquela época, eu não tinha patrimônio para preservar.
Não tinha carteira.
Não tinha conhecimento financeiro.
Não tinha dinheiro para investir.
Mas, sem perceber, algumas sementes já estavam sendo plantadas.
Trabalho.
Persistência.
Coragem.
Experiência.
Anos depois, algumas delas começaram a produzir frutos.
Depois vieram outras sementes.
Clientes.
Relacionamentos.
Confiança.
Dinheiro.
Conhecimento.
Família.
E foi então que compreendi algo que talvez seja ainda mais importante do que aprender a construir patrimônio:
um dia, todos nós deixaremos de cuidar pessoalmente daquilo que plantamos.
Nesse momento, a pergunta já não será apenas quanto conseguimos acumular.
Será outra:
O que deixamos plantado depois de nós?
É sobre isso que quero conversar com você no último capítulo.
CAPÍTULO 7
O QUE FICA DEPOIS DE NÓS
Chegamos ao último capítulo.
E talvez seja justamente agora que eu precise falar sobre aquilo que considero mais importante.
Durante estas páginas, conversamos muito sobre dinheiro.
Falamos sobre trabalho.
Sobre vendas.
Sobre reserva.
Sobre disciplina.
Sobre poupar.
Sobre construir uma carteira.
Sobre não consumir tudo aquilo que conquistamos.
Mas, depois de tantos anos vivendo, trabalhando, errando, acertando, ganhando e perdendo, comecei a perceber que existe uma pergunta muito maior do que:
“Quanto dinheiro eu consegui construir?”
A pergunta é:
“O que ficará depois de mim?”
Porque dinheiro é importante.
Eu sei o valor que ele tem.
Principalmente porque também conheci sua falta.
Dinheiro pode proporcionar segurança.
Pode trazer conforto.
Pode abrir oportunidades.
Pode permitir que você cuide melhor das pessoas que ama.
Pode dar liberdade.
Pode fazer com que você atravesse momentos difíceis com mais tranquilidade.
Não existe nada de errado em querer prosperar.
Eu quis.
Trabalhei muito para isso.
Mas existe um momento em nossa caminhada em que começamos a compreender que patrimônio não é somente aquilo que conseguimos colocar no nosso nome.
Patrimônio também é aquilo que conseguimos deixar no coração e na vida das pessoas.
O MENINO DA OLARIA CRESCEU
Quando olho para trás, às vezes ainda consigo enxergar aquele menino.
Sete anos de idade.
Trabalhando em uma olaria.
Descarregando tijolos.
Com as mãos pequenas, calejadas e machucadas.
Às vezes chorando.
Sem o pai.
Mais tarde, aos 14 anos, sem a mãe.
Aquele menino não fazia ideia de onde a vida o levaria.
Ele não conhecia a palavra patrimônio.
Não sabia o que era uma carteira de recebíveis.
Não entendia de investimentos.
Não sabia falar sobre liberdade financeira.
Ele queria sobreviver.
Queria trabalhar.
Queria encontrar um caminho.
E continuou.
Hoje, olhando para ele de tão longe, eu gostaria de poder voltar no tempo por alguns minutos.
Gostaria de me aproximar daquele menino.
Olhar para aquelas mãozinhas machucadas.
E dizer:
“Continue. Sua história não termina aqui.”
Talvez ele não acreditasse.
Talvez nem entendesse.
Mas eu diria assim mesmo.
Porque hoje sei uma coisa que ele ainda não sabia:
a nossa origem explica de onde viemos, mas não precisa determinar até onde podemos chegar.
O DINHEIRO NÃO FOI A MAIOR CONQUISTA
Durante muito tempo, eu queria vencer.
Queria melhorar de vida.
Queria ganhar dinheiro.
Queria proporcionar à minha família aquilo que eu não tive.
E não me arrependo disso.
O trabalho transformou minha vida.
Mas, quando você começa a olhar para trás, percebe que os números não conseguem contar a história inteira.
Existem coisas que uma conta bancária jamais conseguirá registrar.
Quem estava ao seu lado quando você não tinha nada?
Quem acreditou em você?
Quem orou por você?
Quem suportou suas ausências?
Quem estendeu a mão quando você caiu?
Quem comemorou quando você venceu?
Essas pessoas fazem parte do seu patrimônio.
Talvez da parte mais valiosa dele.
ROSELI
Existe uma pessoa sem a qual seria impossível contar minha história.
Minha esposa, Roseli Maria Silva Gonçalves.
Ao longo da minha caminhada, houve momentos em que as coisas não estavam bem.
Momentos de dificuldade.
Momentos de preocupação.
Momentos em que eu mesmo talvez não soubesse como sairia de determinada situação.
E existe uma imagem que guardo dentro de mim.
Nos momentos em que parecia que eu estava dentro de um buraco, era como se ela estendesse a mão e me puxasse para cima.
Muitas vezes, ela fez isso através das suas orações.
Da sua fé.
Da sua paciência.
Do seu amor.
Existem pessoas que aparecem quando tudo está pronto.
E existem pessoas que ajudam você a construir quando ainda não existe nada para mostrar.
Roseli esteve na construção.
Por isso, quando olho para aquilo que consegui realizar, sei que não posso usar apenas a palavra:
“Eu.”
Existe um “nós” nessa história.
E esse “nós” tem um valor que dinheiro nenhum conseguiria medir.
MEUS FILHOS
Também preciso falar dos meus filhos.
Talvez essa seja uma das partes mais delicadas para mim.
Porque construir tem preço.
E nem sempre esse preço aparece em uma planilha.
Durante muitos anos, trabalhei muito.
Corri atrás.
Viajei.
Busquei oportunidades.
Tentei construir um futuro melhor.
E sei que, em alguns momentos, estive ausente.
Meus filhos eram pequenos.
E eu estava perseguindo um sonho.
Na minha cabeça, estava fazendo aquilo por eles também.
Queria proporcionar uma vida melhor.
Queria construir aquilo que eu não tive.
Queria deixar segurança.
Mas o tempo nos ensina uma coisa que o dinheiro não consegue resolver:
uma hora que passou não pode ser comprada novamente.
Não digo isso para viver de arrependimento.
Digo porque hoje consigo enxergar com mais clareza.
Existe um equilíbrio que precisamos buscar.
Construir o futuro da família é importante.
Mas viver o presente com ela também é.
Talvez eu tenha acertado em algumas coisas e errado em outras.
Como todo pai.
Mas existe algo que meus filhos precisam saber:
muito daquilo que construí também foi pensando neles.
E talvez meu maior desejo não seja simplesmente deixar bens.
É deixar aprendizado.
É deixar princípios.
É deixar uma história que mostre que eles podem cair e levantar.
Podem começar pequenos.
Podem construir.
E, principalmente, podem aprender com os meus acertos sem precisar repetir todos os meus erros.
Esse é um tipo de herança que não precisa de inventário.
AS PESSOAS QUE ENCONTRAMOS PELO CAMINHO
Ninguém constrói uma história sozinho.
Às vezes gostamos de contar nossas conquistas como se tivéssemos feito tudo por conta própria.
Não fizemos.
Sempre existiram pessoas.
Uma conversa.
Um conselho.
Uma oportunidade.
Um cliente.
Um amigo.
Alguém que abriu uma porta.
Alguém que acreditou.
Alguém que disse uma palavra no momento certo.
Na minha caminhada, uma dessas pessoas foi Gerson Carlos Pavani.
Empresário, amigo e inspiração.
Existem pessoas que não apenas passam pela nossa vida.
Elas deixam alguma coisa.
Gerson faz parte dessas pessoas na minha história.
E sou grato por isso.
Quanto mais envelheço, mais percebo que talvez uma das maiores riquezas que podemos acumular sejam bons relacionamentos.
Eles não aparecem no balanço de uma empresa.
Mas sustentam muitas coisas que aparecem.
OS CLIENTES TAMBÉM FAZEM PARTE DA HISTÓRIA
E então chegamos novamente aos clientes.
Talvez agora você compreenda melhor por que escolhi chamar este livro de O Ativo Invisível.
Durante anos, vendi.
Conheci pessoas.
Entrei em casas.
Ouvi histórias.
Fiz negócios.
Construí relações.
Alguns clientes voltaram.
Outros indicaram amigos.
Alguns confiaram em mim durante muitos anos.
Quando enxergamos apenas a venda, vemos um número.
Quando enxergamos a pessoa, vemos algo muito maior.
Um cliente satisfeito não é apenas alguém que comprou alguma coisa de você.
É alguém que entregou a você algo muito valioso:
confiança.
E confiança precisa ser cuidada.
Você pode levar anos para construí-la.
E poucos minutos para destruí-la.
Foi assim que comecei a entender que minha carteira não era apenas financeira.
Havia uma carteira de relacionamentos sendo construída ao mesmo tempo.
Talvez ela fosse ainda mais importante.
Porque dinheiro pode acabar.
Uma parcela termina.
Um contrato vence.
Mas um relacionamento bem cuidado pode atravessar décadas.
SUA CARTEIRA PODE VALER MILHÕES
Na capa deste livro existe uma frase:
“Sua carteira vale milhões.”
Agora, depois de tudo o que conversamos, quero que você entenda essa frase de uma maneira mais ampla.
Não estou dizendo que toda carteira necessariamente valerá milhões de reais.
Não estou fazendo uma promessa financeira.
Estou falando de valor.
Talvez exista um patrimônio ao seu redor que você ainda não aprendeu a enxergar.
Clientes que confiam em você.
Pessoas que indicariam seu trabalho.
Relacionamentos construídos durante anos.
Conhecimento acumulado.
Experiência.
Reputação.
Família.
Amizades.
Credibilidade.
Histórias.
Tudo isso possui valor.
Algumas dessas coisas podem produzir dinheiro.
Outras produzem algo que dinheiro algum consegue comprar.
E talvez seja justamente por isso que são invisíveis.
O QUE VOCÊ ESTÁ CONSTRUINDO ENQUANTO CONSTRÓI DINHEIRO?
Essa é uma pergunta que gostaria de deixar para você.
Enquanto você constrói patrimônio, o que mais está construindo?
Está construindo confiança?
Está construindo uma família que gosta de estar perto de você?
Está construindo bons relacionamentos?
Está construindo conhecimento?
Está construindo uma reputação?
Está construindo liberdade?
Ou está apenas acumulando números?
Não existe nada errado com números.
Eu gosto deles.
Eles nos ajudam a medir.
A planejar.
A tomar decisões.
Mas existem coisas que os números não conseguem medir.
Não existe uma coluna na planilha capaz de calcular o valor de uma pessoa que segurou sua mão no pior momento da sua vida.
Não existe fórmula que calcule o valor de um filho.
Não existe juros compostos capazes de medir uma amizade verdadeira.
Não existe saldo bancário que substitua uma consciência tranquila.
Talvez a riqueza completa seja justamente conseguir construir sem perder essas coisas pelo caminho.
UM DIA, ALGUÉM VAI CONTAR A SUA HISTÓRIA
Todos nós estamos escrevendo uma história.
Mesmo quem nunca escreverá um livro.
Um dia, nossos filhos contarão histórias sobre nós.
Nossos amigos lembrarão de alguma coisa.
Clientes se recordarão da maneira como foram tratados.
Pessoas com quem trabalhamos lembrarão de como nos comportávamos quando ninguém importante estava olhando.
E talvez essa seja uma maneira interessante de pensar sobre legado.
Legado não começa depois que morremos.
Legado está sendo construído agora.
Na forma como tratamos as pessoas.
Nas decisões que tomamos.
Na palavra que cumprimos.
No exemplo que damos.
Naquilo que ensinamos.
E também na maneira como lidamos com aquilo que conquistamos.
SE EU PUDESSE DEIXAR APENAS ALGUMAS LIÇÕES
Se eu precisasse resumir tudo o que vivi em algumas ideias, talvez dissesse:
Trabalhe.
Mas aprenda a dar direção ao seu trabalho.
Ganhe dinheiro.
Mas não gaste tudo.
Construa uma reserva.
Mas não permita que o medo impeça você de enxergar oportunidades.
Aproveite oportunidades.
Mas respeite os riscos.
Prosperou?
Aproveite.
Mas não permita que seu padrão de vida cresça mais rápido do que sua liberdade.
Recebeu uma boa colheita?
Celebre.
Mas não coma todas as sementes.
Construa uma carteira.
Mas nunca esqueça que, por trás de cada número, existe uma pessoa.
E cuide das pessoas que estavam ao seu lado antes que os números ficassem grandes.
NÃO ESPERE O MOMENTO PERFEITO
Talvez você tenha chegado até aqui pensando:
“Um dia eu começo.”
Um dia vou guardar.
Um dia vou organizar minha vida.
Um dia vou construir uma reserva.
Um dia vou cuidar melhor dos meus clientes.
Um dia vou passar mais tempo com minha família.
Um dia vou começar aquele projeto.
Cuidado com o “um dia”.
Eu já vivi o suficiente para saber que o tempo anda muito mais rápido do que imaginamos.
Você não precisa mudar tudo amanhã.
Não precisa ter muito dinheiro.
Não precisa conhecer todas as respostas.
Mas pode começar alguma coisa.
Hoje.
Pode guardar os primeiros dez reais.
Pode organizar uma dívida.
Pode telefonar para um cliente antigo.
Pode agradecer alguém que ajudou você.
Pode abraçar seu filho.
Pode dizer à sua esposa ou ao seu marido aquilo que talvez esteja adiando dizer.
Pode plantar uma semente.
O importante é não passar a vida inteira esperando a condição perfeita para começar a viver aquilo que considera importante.
O ATIVO INVISÍVEL
Quando comecei esta história, falei de um patrimônio que muitas pessoas possuem sem perceber.
Agora você já sabe que eu não estava falando apenas de dinheiro.
Meu ativo invisível foi sendo construído durante toda a minha vida.
Começou naquele menino da olaria.
Cresceu nas dificuldades.
Ganhou força nas vendas.
Transformou-se quando descobri a carteira de recebíveis.
Foi protegido quando aprendi a importância da reserva.
Amadureceu quando compreendi que não poderia gastar tudo.
Multiplicou-se quando aprendi a preservar sementes.
Mas ganhou verdadeiro significado quando percebi que nenhuma dessas coisas faria sentido se eu esquecesse das pessoas.
No final, talvez o maior patrimônio seja justamente esse:
aquilo que construímos nas pessoas enquanto estamos construindo nossa própria história.
UMA ÚLTIMA CONVERSA ENTRE NÓS
Se você chegou comigo até esta última página, quero agradecer.
Não escrevi este livro para parecer alguém que acertou tudo.
Não acertei.
Errei muito.
Perdi dinheiro.
Tomei decisões que hoje faria de outra maneira.
Houve momentos em que poderia ter sido mais prudente.
Outros em que poderia ter estado mais presente.
Mas também aprendi.
E foi justamente por ter aprendido vivendo que decidi compartilhar.
Talvez alguma coisa que levei anos para compreender possa ajudar você a tomar uma decisão melhor amanhã.
Se isso acontecer uma única vez, estas páginas já terão cumprido seu propósito.
Não quero que você termine este livro pensando apenas:
“Quero ganhar mais dinheiro.”
Quero que termine perguntando:
“O que estou construindo?”
Porque essa pergunta muda tudo.
Dinheiro faz parte da resposta.
Mas não é a resposta inteira.
QUANDO TUDO TERMINAR
Um dia, não estaremos mais aqui.
Nossos carros pertencerão a outras pessoas.
Nossas casas terão outros moradores.
O dinheiro mudará de mãos.
As empresas continuarão ou serão transformadas.
As carteiras serão recebidas, transferidas ou encerradas.
Mas algumas coisas poderão permanecer.
Uma história.
Um ensinamento.
Uma oportunidade que demos a alguém.
Um cliente que tratamos com respeito.
Um filho que aprendeu observando.
Uma família que se lembra do nosso amor.
Uma pessoa que encontrou coragem porque ouviu alguma coisa que dissemos.
Talvez seja isso que realmente fique depois de nós.
E hoje, quando olho para aquele menino de sete anos, consigo finalmente compreender.
As mãos que um dia sangraram carregando tijolos acabaram aprendendo a construir outras coisas.
Construíram trabalho.
Construíram oportunidades.
Construíram patrimônio.
Construíram uma família.
Construíram relacionamentos.
E agora seguram estas páginas.
Se a minha história puder deixar uma última mensagem para você, gostaria que fosse esta:
Construa dinheiro, mas não construa apenas dinheiro.
Construa liberdade.
Construa confiança.
Construa relacionamentos.
Construa pessoas.
Construa uma história que valha a pena ser lembrada.
Porque, no fim, o patrimônio mais importante talvez nunca apareça em uma conta bancária.
Ele pode estar nas pessoas que você ajudou.
Nas pessoas que acreditaram em você.
Na família que caminhou ao seu lado.
Nos clientes que confiaram na sua palavra.
Nas sementes que você decidiu não consumir.
E naquilo que continuará crescendo mesmo quando você já não estiver aqui para ver.
Esse é o patrimônio que nenhuma planilha consegue medir.
Esse é o patrimônio que o tempo não consegue apagar.
Esse é o meu ativo invisível.
Ivan Gonçalves
MENSAGEM FINAL
NÃO SE DISTRAIA
Se você me conhece pessoalmente, provavelmente já me ouviu falar uma frase muitas vezes:
Não se distraia.
Eu falo muito sobre distração porque acredito que muita coisa que levamos anos para construir pode ser perdida em alguns minutos de distração.
E sempre dou um exemplo muito simples.
Imagine um homem casado, que ama sua esposa e construiu uma família durante anos.
Um dia passa uma mulher bonita na frente dele.
Os olhos podem até olhar.
Somos seres humanos.
Mas existe uma enorme diferença entre perceber aquilo que passou diante dos seus olhos e permitir que aquilo tire você do caminho.
Porque, por alguns minutos de distração, uma pessoa pode colocar em risco um casamento que levou uma vida inteira para construir.
Com dinheiro acontece algo parecido.
Com os negócios também.
Com a carteira também.
E com a vida, então, nem se fala.
Construir demora. Destruir pode ser muito rápido.
Por isso eu digo:
Não se distraia.
QUEM TEM UM OBJETIVO PRECISA SABER PARA ONDE ESTÁ OLHANDO
Ao longo deste livro, falei sobre guardar dinheiro, construir reserva, fazer carteira, aproveitar oportunidades, controlar o padrão de vida e não comer todas as sementes.
Mas tudo isso depende de uma coisa:
continuar olhando para onde você quer chegar.
A distração aparece de muitas maneiras.
Às vezes é uma compra.
Às vezes é vaidade.
Às vezes é uma oportunidade que parece maravilhosa, mas que você não analisou direito.
Às vezes é uma pessoa.
Às vezes é simplesmente aquela vontade de abandonar o plano porque apareceu alguma coisa mais interessante naquele momento.
Você pode até olhar.
Só não pode esquecer para onde estava indo.
CARTEIRA NÃO É BRINCADEIRA
E quero terminar falando especialmente com quem decidiu construir uma carteira.
Tome cuidado.
Não porque eu queira colocar medo em você.
Mas porque eu já errei.
Já perdi dinheiro.
Já banquei negociações que não terminaram da maneira que eu esperava.
E uma coisa que a experiência me ensinou é que:
não basta saber vender. É preciso saber para quem você está vendendo.
Quando você financia uma venda com seu próprio dinheiro, de certa maneira está assumindo uma função parecida com a de um banco.
Você entrega o produto hoje e confia que aquela pessoa cumprirá o compromisso durante os próximos meses.
Portanto, não entregue crédito apenas porque quer fechar uma venda.
Conheça a pessoa.
Analise.
Procure informações.
Estabeleça limites.
E nunca comprometa aquilo que você não pode perder.
Existem muitas pessoas boas para fazer negócio.
Pessoas de palavra.
Pessoas que honram aquilo que combinam.
Mas também existem aquelas que, como eu costumo brincar aqui em Goiás, se você facilitar, querem:
“arrancar o olho da gente e lamber dentro.”
Quem me conhece provavelmente está rindo agora, porque já deve ter me ouvido falar isso.
Mas, por trás da brincadeira, existe uma lição séria:
Confiança é fundamental. Mas confiança não substitui prudência.
Eu precisei perder dinheiro para aprender algumas dessas coisas.
Se minha experiência puder evitar que você cometa alguns dos erros que cometi, melhor ainda.
O “VENDE JÁ”
E antes de terminar, preciso contar uma história que me acompanha há muitos anos.
Meu amigo e mentor, Gerson Carlos Pavani, colocou um apelido em mim.
Ele me chama de:
VENDE JÁ.
E Gerson vive contando isso em treinamentos e reuniões.
O apelido nasceu da maneira como ele sempre enxergou minha relação com as vendas.
Para mim, venda não é algo para depois.
É para agora.
É ouvir o cliente.
Entender o que ele precisa.
Encontrar uma solução.
Superar as dificuldades.
E fazer acontecer.
Por isso:
VENDE JÁ.
Confesso que gosto desse apelido.
Porque vender mudou a minha vida.
Foi através das vendas que conheci pessoas.
Foi vendendo que surgiram oportunidades.
Foi através de uma venda que comecei a enxergar o poder de uma carteira de recebíveis.
E foi também Gerson quem, muitos anos atrás, me incentivou a construir carteira e me ajudou a enxergar um caminho que seria fundamental para que eu conquistasse meu primeiro milhão dessa forma.
Talvez por isso o apelido tenha ainda mais significado para mim.
Mas hoje, depois de tantos anos, eu acrescentaria algumas coisas ao VENDE JÁ:
Venda já. Mas saiba para quem está vendendo.
Venda já. Mas cuide do dinheiro que ganhou.
Venda já. Mas preserve suas sementes.
Venda já. Mas não deixe o sucesso distrair você.
E, principalmente:
Venda já. Mas nunca esqueça das pessoas.
Porque são elas que fazem uma carteira existir.
SE EU PUDESSE LHE DAR UM ÚLTIMO CONSELHO
Depois de tudo que escrevi nestas páginas, talvez você espere que meu último conselho seja sobre dinheiro.
Não é.
Meu último conselho é:
Não se distraia daquilo que realmente importa.
Não se distraia do seu objetivo.
Não se distraia da sua família.
Não se distraia dos seus princípios.
Não se distraia quando começar a ganhar dinheiro.
Não se distraia quando as pessoas começarem a elogiar você.
Não se distraia quando sua carteira ficar grande.
E também não se distraia quando alguma coisa der errado.
Um tropeço não significa que a estrada terminou.
Eu comecei minha história descarregando tijolos em uma olaria.
Minhas mãos sangraram.
Perdi meu pai ainda criança.
Depois perdi minha mãe.
Errei.
Perdi dinheiro.
Aprendi.
Continuei.
Vendi.
Construí.
E ainda estou construindo.
Por isso, se existe alguma coisa que eu gostaria que você lembrasse de mim depois de fechar este livro, não é quanto dinheiro consegui ganhar.
Gostaria que lembrasse que é possível continuar construindo, desde que você não perca de vista aquilo que realmente importa.
Cuide da sua família.
Cuide do seu nome.
Cuide dos seus clientes.
Cuide da sua palavra.
Cuide do seu dinheiro.
Cuide das suas sementes.
E cuide para que as distrações do caminho não roubem aquilo que você levou anos para construir.
Quanto ao resto...
Faça como o VENDE JÁ:
continue trabalhando, continue acreditando e faça acontecer.
Ganhar dinheiro é importante.
Saber cuidar daquilo que você construiu é ainda mais.
E, se um dia você olhar para trás e perceber que construiu não apenas dinheiro, mas também confiança, relacionamentos, família, liberdade e uma história da qual possa se orgulhar, então terá entendido aquilo que levei uma vida inteira para aprender:
o seu maior patrimônio talvez seja justamente aquele que ninguém consegue enxergar.
E, por favor, lembre-se:
NÃO SE DISTRAIA.
Com gratidão,
Ivan Gonçalves
“VENDE JÁ”